Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

Em busca de público, MIS muda direção

André Sturm, do Belas Artes, foi indicado por governo; conselho tem de aprovar nome

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2011 | 00h00

O Museu da Imagem e do Som (MIS) deverá ser dirigido pelo cineasta André Sturm, até recentemente proprietário do Cine Belas Artes. A indicação foi feita há dois meses pelo secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo, que, com a mudança, pretende "aproximar" o museu do público.

O nome de Sturm será amanhã discutido em assembleia do conselho da Associação de Amigos do Paço das Artes Francisco Matarazzo Sobrinho, organização social que administra o MIS e o Paço das Artes. Para a mudança ocorrer, o conselho da entidade precisa aprová-la.

"Acho que sair é uma questão de dignidade", afirmou ontem Daniela Bousso, atual diretora da instituição. Ela assumiu o MIS em 2007, a convite do secretário da Cultura anterior, João Sayad. Se deixar o museu, ficará responsável apenas pela direção do Paço das Artes, instituição da qual já é diretora desde 1997.

"Acredito que nos próximos 15 dias já ocorra a alteração", diz Matarazzo. "Foi uma sugestão (da substituição) compatível com o que nós queremos. O MIS precisa aproximar-se mais das pessoas", completa o secretário.

Mas, em entrevista ao Estado, a presidente do conselho administrativo da Associação de Amigos do Paço das Artes, a artista e designer Eide Feldon, afirmou que, apesar de os conselheiros estarem "divididos" até então entre Daniela Bousso e André Sturm, havia a vontade de que fosse negociada a permanência da diretora no MIS.

"André (Sturm) é a cara do mercado, de distribuição (de filmes). E não é essa a missão do MIS", disse Eide. "Gostaria que fosse preservado o investimento público no museu, para que ele não vire o antigo MIS. O museu tem uma vocação, todo um aspecto ligado ao fomento e à experimentação", afirmou. Já Matarazzo diz que "a política pública é traçada pela secretaria".

Ao propor André Sturm para o museu, o projeto do secretário é, segundo ele, realizar o Cine MIS, programação com exibição de obras do acervo da instituição e de filmes comerciais, que ainda seria levada para o interior do Estado. Outro objetivo é ampliar oficinas e atividades relacionadas à fotografia.

Proprietário da distribuidora de filmes Pandora, Sturm atualmente coordena a Unidade de Fomento e Difusão de Produção Cultural da Secretaria da Cultura. Se seu nome for aprovado pelo conselho do MIS, deixará seu cargo na pasta.

Perfil. Quando Daniela assumiu o MIS, seu projeto para o museu era fazer a instituição se voltar às novas mídias do século 21. Matarazzo considera que ela conduziu o MIS a um perfil "muito hermético" e de público limitado. Em 2008, 13 mil visitantes passaram pelo museu em um semestre - o local foi reaberto em agosto daquele ano, após reforma. Depois, em 2009, foram 51 mil; em 2010, 80 mil. "É um público que vem sendo formado lentamente", rebate Daniela.

Indagada sobre orçamento, ela afirma que o MIS e o Paço das Artes tiveram corte de 27% para 2011, ficando em cerca de R$ 9 milhões. Em sua gestão, a reforma custou R$ 4,5 milhões, dividida em duas fases. R$ 1,5 milhão foram para a construção da reserva técnica e do restaurante.

O MIS POR DENTRO

Criado em 1970 na pasta da Secretaria de Estado da Cultura, o Museu da Imagem e do Som (MIS) está desde 1975 abrigado em prédio na Avenida Europa, 158, nos Jardins. Nas décadas de 1970 e 1980, lá funcionou também o Paço das Artes, hoje na Cidade Universitária. O acervo do MIS tem cerca de 200 mil itens, entre discos, filmes, depoimentos, fotos e cartazes. A coleção está sendo inventariada e digitalizada.

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