Em Barra do Piraí, no Estado do Rio, já se vive rodízio diário de água

Torneiras só funcionam 12 horas no bairro Areal; prefeito diz que situação se agravou após decisão da Cesp, no início do mês

Thaise Constancio, O Estado de S. Paulo

13 Agosto 2014 | 20h04

BARRA DO PIRAI - Moradores do bairro Areal, em Barra do Piraí, município do Estado do Rio, têm sofrido com a falta de água desde o início de agosto. Embora o problema da distribuição de água seja recorrente na região, eles afirmam que a situação se agravou na semana passada. Alguns chegaram a ficar cinco dias sem água.

O período coincide com a redução da vazão do Rio Jaguari, importante afluente do Paraíba do Sul, que abastece a região. A Companhia Energética de São Paulo (Cesp) diminuiu a quantidade de água liberada, passando de 30 mil para 10 mil litros por segundo.

O problema foi detectado pela Prefeitura de Barra do Piraí em 4 de agosto, quando uma das seis estações que bombeiam a água para todo o município teve de ser desligada, porque o baixo nível de água impedia seu funcionamento. Depois disso, 15 mil moradores foram afetados. Segundo o secretário municipal de Água e Esgoto, Adalberto de Oliveira, nessa área o abastecimento ocorre 12 horas por dia. Nas outras 12, as torneiras ficam vazias.

Em outras duas estações, o nível da água está apenas 3 centímetros acima do limite de captação. Se houver nova redução (da vazão da água), 80% dos moradores de Barra do Piraí ficarão sem água, prevê o secretário.

Mina. Para contornar o desabastecimento, os moradores captam água em uma mina de água conhecida como Caixinha. É o caso de Oséias Portugal, de 36 anos, que na manhã desta quarta-feira foi à mina buscar água para a família beber e cozinhar. “Acredito que não seja só um problema de distribuição, mas também de falta de chuva”, opinou. Nesta terça, a água chegou ao alto da Rua da Torre, onde ele mora.

O Areal é um vale e o reservatório que abastece o bairro fica em cima de um morro. A água chega às casas mais baixas “na pressão”, mas não tem força para chegar às residências mais altas, e não existe bomba para levar o sistema de abastecimento até lá. “Ficar sem água faz parte do nosso cotidiano, mas é muito desagradável. Com certeza este é um dos piores meses deste ano.”

Carregando um galão para 20 litros, o estudante Lucas Assis, de 14 anos, aguardava sua vez de captar água na mina. Ele contou que há uma semana tem sido liberado da escola municipal Paulo Fernandes, onde cursa o 7.º ano do ensino fundamental, às 10 horas, apesar de o turno terminar somente às 12h20. “Quase não tem aula e estamos sem merenda, porque não tem água”, diz. Segundo ele, é a primeira vez que isso acontece na cidade.

A reportagem foi até a escola onde Lucas de Assis estuda. Uma funcionária que não se identificou afirmou que os alunos foram dispensados mais cedo “só hoje” pela falta de água, mas depois recuou e disse que não poderia falar nada sobre o assunto. A diretora da escola não quis atender à reportagem.

Em cidades do sul fluminense perto de Barra do Piraí, como Volta Redonda e Barra Mansa, ainda não há falta de água, mas os moradores estão apreensivos com a notícia da redução da vazão do rio. Há outros municípios afetados. 

Solicitação à ANA. O prefeito de Barra do Piraí, Maércio de Almeida, atribuiu a falta de água à decisão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) de reduzir a vazão na barragem situada no Rio Jaguari. “Essa decisão foi um absurdo, tomada sem consultar ninguém. Espero que a ANA (Agência Nacional de Águas) tome alguma providência”, disse. Ele procurou o órgão já na semana passada, para informar os problemas. / COLABOROU FÁBIO GRELLET

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