Robson Fernadjes/AE
Robson Fernadjes/AE

Em audiência, irmã de Mércia afirma que Mizael era muito ciumento

Claudia Nakashima foi a 1.ª a prestar depoimento em Guarulhos; 'Ele não a deixava falar com ninguém', disse

Gabriel Vituri, do estadão.com.br, e Camila Tuchlinski, da Rádio Eldorado,

18 de outubro de 2010 | 12h15

GUARULHOS - Em depoimento nesta segunda-feira, 18, sobre a morte Mércia Nakashima, a irmã da vítima, Claudia Eliane Nakashima, falou sobre como o relacionamento entre a advogada e o acusado do crime, Mizael Bispo de Souza, era conturbado. Segundo Claudia, a irmã era muito reservada sobre os namoros e o policial militar reformado, extremamente ciumento. "Ele não a deixava conversar com ninguém", disse.

 

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Claudia afirmou que desconfiava que Mércia era agredida pelo ex-namorado. Em uma das situações, ela diz que encontrou uma xícara quebrada no chão, como se tivesse sido arremessada na parede. No dia seguinte, viu a irmã com hematomas nos braços, mas Mércia não quis falar sobre o assunto. "Tentei conversar, mas ela tinha muito medo de Mizael". Por esses motivos, a família a orientou a terminar o relacionamento com o réu.

 

A irmã da vítima disse também ter medo de encontrar o advogado, mas por outro motivo. "Depois da morte de Mércia, eu tenho medo de sair de casa e encontrar o Mizael, porque, se encontrá-lo, passo por cima dele e dou ré", desabafou.

 

Conforme Cláudia, no dia 23 de maio, quando Mércia desapareceu, as duas estavam juntas na casa da avó no momento em que o telefone da advogada tocou. Ela viu que era Mizael e desligou o aparelho, dizendo que não queria atender. Claudia comentou que a irmã tinha medo do ex-policial e que chegou várias vezes a trocar o número do telefone para não ser encontrada. As irmãs ficaram até de tarde juntas, quando Mércia falou que precisava voltar para casa para fazer uma hidratação no cabelo.

 

No dia seguinte, Claudia estranhou que a irmã não havia ligado, já que era hábito telefonar por volta das 8h30 da manhã para falar como estavam as coisas. Ambas moravam juntas. Por volta do meio-dia, como também era costumeiro, Mércia deveria ligar para a irmã para combinar sobre o almoço, o que não ocorreu. Claudia, então, ficou preocupada e resolveu ligar para a irmã. Não obtendo resposta, telefonou para Mizael, que também não atendia o celular. Foi quando a irmã começou a ficar preocupada.

 

Neste mesmo dia, ela e o irmão, Márcio Nakashima, foram ao 6.º Distrito Policial e pediram para registrar um boletim de ocorrência por desaparecimento, mas, segundo ela, os policiais não quiseram fazer o documento e pediram que a procurassem na vizinhança. Eles foram em alguns bairros e favelas, mas não a encontraram.

 

Braço direito. No depoimento, Claudia disse ainda que o vigia Evandro Bezerra Silva, também réu no processo, seria o homem de confiança de Mizael. Além disso, ela apontou um fato sobre a aposentadoria do policial. "Ele dizia que não poderia ser mais PM porque não conseguia atirar, mas andava sempre armado". O depoimento da testemunha durou cerca de uma hora e meia, até por volta das 13h. Antes de começar a ouvi-la, o juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano pediu a retirada dos dois réus a pedido da própria Claudia.

 

Antes do início da audiência, o magistrado falou que pretendia ouvir hoje todas as testemunhas de acusação. Por isso, as de defesa foram dispensadas, após concordância de ambas as partes, para serem ouvidos apenas na terça.

 

Curiosos. Ao lado de fora do Fórum Central de Guarulhos o clima ainda era tranquilo. Por volta das 14h30, pessoas começavam a movimentar o local, algumas delas com camisetas estampadas com fotos de Mércia com a palavra "Justiça" escrita abaixo e também faixas.

 

Mércia foi morta após deixar a casa da avó, em Guarulhos, no dia 23 de maio. Seu corpo foi encontrado em uma represa de Nazaré Paulista no dia 11 de junho. O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) apontou que ela morreu por afogamento.

 

Atualizado às 15h para acréscimo de informações

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