Em apenas 3 cruzamentos, 1/4 dos acidentes com vítimas

Esquina da Avenida Celso Garcia com a Salim Farah Maluf, na zona leste, é o mais perigoso da cidade

Naiana Oscar, do Jornal da Tarde,

18 de setembro de 2008 | 00h05

Entre os 5 mil cruzamentos com semáforos da capital paulista, três concentram um quarto dos acidentes de trânsito com vítima. No topo do ranking, está a esquina das Avenidas Celso Garcia e Salim Farah Maluf, na zona leste. Em 2007, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou ali 22 colisões e 7 atropelamentos.  Em seguida, vem a Avenida do Estado com a Santos Dumont - foram 15 batidas e 8 atropelamentos. Com um perfil diferente, o terceiro cruzamento, entre a Avenida Paulista e a Brigadeiro Luís Antônio, também registra altos índices de acidentes. Na terça-feira, 16, a reportagem percorreu os três pontos com o engenheiro de transportes Eduardo José Daros, presidente da Associação Brasileira de Pedestres. Ele apontou as falhas e os riscos para quem circula por ali.  Na Paulista com a Brigadeiro, Daros ficou impressionado com o comportamento dos pedestres. Eles aproveitavam as brechas nas grades recém colocadas para atravessar fora da faixa, a 5 metros de distância. "É absurdo que essas passagens estejam abertas porque o pedestre vai optar sempre pelo caminho mais curto", disse. Segundo a Assessoria de Imprensa Subprefeitura da Sé, algumas grades deixaram de ser colocadas porque precisavam de ajustes. O serviço deve ser concluído em novembro.  ‘Eternidade’ Os dois primeiros cruzamentos têm muito em comum. São vias arteriais, com velocidade limite de 60 km/h, fluxo intenso de caminhões e, relativamente, poucos pedestres. Quanto à localização, ambas estão longe do centro. Os marronzinhos que trabalham na região afirmam que a maior parte dos acidentes ocorre durante a madrugada, quando a iluminação é falha e não há fiscalização. Na Salim Farah Maluf, quando termina o horário de pico da noite, já fica fácil flagrar deslizes dos motoristas. Muitos aceleram no sinal amarelo e não dão conta de passar o cruzamento antes que o semáforo fique vermelho. "A gente se arrisca porque é uma eternidade para passar naquele trecho", disse o motorista Mateus José da Silva, de 32 anos, que cruza as avenidas pelo menos duas vezes por dia. "Na hora, a gente não acha perigoso, mas pensando bem, é, sim." Nesses cruzamentos, o pedestre não pode se distrair. "O motorista está disposto a andar com velocidade e isso pode ser fatal para quem está a pé", disse Daros. Como as avenidas são largas, nos dois pontos a travessia de pedestres tem de ser feita em etapas. Isso exige muito rigor no tempo do sinal vermelho intermitente - aquele que começa a piscar antes de fechar para o pedestre. "Se a pessoa iniciou a travessia pouco antes de o sinal verde terminar, tem de conseguir concluir o percurso", disse Daros. Para o especialista, nos dois pontos, o tempo de quatro segundos é insuficiente.  Além de fazer o ranking dos cruzamentos mais perigosos, a CET mapeou também as vias com maior número de acidentes de trânsito em 2007. As Marginais do Tietê e do Pinheiros lideram com 48 e 33 registros, respectivamente. A maioria das ocorrências é de atropelamentos e quedas de motociclistas. "A alta velocidade dos veículos e a imprudência dos pedestres provavelmente são os fatores responsáveis por esses índices", disse o engenheiro de transportes e professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) Jaime Waisman.  Em terceiro lugar no ranking das vias mais perigosas está a Estrada do M’Boi Mirim, alvo do pacote antitrânsito da Prefeitura, lançado em março deste ano. "Lá, o problema não é a velocidade, mas a bagunça do tráfego", disse Waisman. "Quanto menos organizado e fiscalizado é o fluxo de veículos, maiores as chances de acidentes."

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