André Dukek/AE
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Em ano eleitoral, Kassab vai investir R$ 6 bi e prevê ‘pacote de bondades’

Pacote em ano eleitoral repete estratégia que Kassab usou em 2008, quando o prefeito se reelegeu

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2011 | 22h45

SÃO PAULO - Para o sexto e último ano como prefeito, Gilberto Kassab (PSD) triplicou a previsão de investimentos e vai dar reajustes acima da inflação para professores, médicos e guardas-civis. O "pacote de bondades" em ano eleitoral repete estratégia de 2008, quando o prefeito se reelegeu. Só em investimentos serão R$ 6,1 bilhões - neste ano, a mesma verba não deve chegar a R$ 2,5 bilhões.

Se em 2008 o prefeito gastou um superávit de R$ 3 bilhões para distribuir leite nas escolas e para construir em nove meses 100 Assistências Médico Ambulatoriais (AMAs), agora Kassab abriu o caixa para tirar do papel o túnel de 2, 4 km entre a zona sul e a Rodovia dos Imigrantes.

Da classe alta ao morador de ocupação, tem obra para agradar a todos. A conclusão da revitalização do Largo da Batata, em Pinheiros, na zona oeste, é uma das prioridades, segundo o secretário municipal de Planejamento, Rubens Chammas. Outros R$ 700 milhões foram reservados para o programa de reurbanização de 118 favelas.

O cenário otimista projetado por Kassab, em um ano em que os especialistas preveem uma desaceleração do crescimento econômico, tem explicação. Nos últimos três anos, o prefeito fez uma "poupança" de quase R$ 7 bilhões. Só em operações urbanas, que é o montante pago à Prefeitura por empreiteiras que querem construir acima do permitido pela Lei de Zoneamento, são R$ 1,5 bilhão acumulados.

Canteiro de obras. Na prática, o orçamento de R$ 38 bilhões enviado nesta sexta-feira, 30, à Câmara mostra que grande parte do que foi arrecadado com a explosão do mercado imobiliário na capital entre 2006 e 2010 será gasto em 2012, quando Kassab tentará fazer o sucessor pelo seu PSD. Sem mandato pelo menos até 2014, o prefeito sabe que precisa manter influência sobre uma Prefeitura com orçamento menor apenas que o da União e dos Estados de São Paulo, Rio e Minas.

Para isso, a cidade deve virar um canteiro de obras. A Praça das Artes e a revitalização da cracolândia devem começar a andar até o fim do primeiro semestre. São duas intervenções que devem dar um alento de esperança para a recuperação do centro, ainda que não sejam concluídas antes do fim do mandato. Kassab também previu deixar licitadas as obras antienchentes para a Pompeia, na zona oeste.

O gasto com os 157 mil servidores ativos e indiretos da administração também vai atingir o valor recorde de R$ 11 bilhões, um incremento de 10% em relação a 2011. Nessa conta estão previstos aumentos e gratificações já autorizados pela Câmara a funcionários da Saúde e da Guarda Civil Metropolitana (GCM). O reajuste aos docentes é de 14%.

A estimativa de gastos da Prefeitura cresceu 12%, enquanto a elevação do PIB nacional deve ficar em 4,1% e a inflação oficial, em 6,3%.

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