Em 92% dos casos, porteiro e zelador são a segurança

Apesar do avanço do chamado modelo israelense, só 1.600 prédios contam com vigias; em 400 lugares, eles andam armados

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2011 | 00h00

Apesar de serem vistos como refúgio em uma cidade insegura, 92% dos condomínios da capital ainda têm porteiro ou zelador como os principais encarregados da segurança local. Isso significa que apenas 1.600 condomínios contam com força privada - em 400 empreendimentos, há presença de homens armados.

A estimativa é do capitão da Polícia Militar José de Godoy, que há dois anos iniciou com a corporação e a Polícia Civil trabalho de aproximação com o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi) para diminuir os assaltos a condomínios. Em nove de cada dez ocorrências em prédios, os ladrões entram pela porta da frente ou pela garagem.

"Isso demanda um importante trabalho de treinamento dos porteiros, que pode ajudar a reduzir bastante o risco", afirma Godoy.

Entre os moradores mais preocupados em se proteger, as modalidades são de tipos diversos. Uma alternativa bastante conhecida no mercado é o chamado modelo de segurança israelense, inspirado em técnicas de um país onde a maior parte da população vive em residências. "Apesar dos nomes diferentes, o que vemos basicamente são sistemas integrados de segurança. As vulnerabilidades do edifício são estudadas para uma análise de risco. A partir daí, combinam-se soluções em que a mão de obra e a instalação de equipamentos eletrônicos são feitas de forma coordenada", explica o vice-presidente do Grupo GP, que atua em 250 condomínios da capital.

Dependendo de quanto os moradores estão dispostos a pagar, a mensalidade da equipe de segurança pode variar. Um posto de vigilância 24 horas custa cerca de R$ 13 mil. Nos condomínios de alto padrão, podem-se usar cinco postos, além de equipamentos eletrônicos cujos gastos são de até R$ 10 mil por mês. Quando esses gastos se dividem em poucas unidades, acabam elevando a cota mensal na casa dos R$ 10 mil a R$ 12 mil. "A segurança costuma representar 70% dos custos", diz Godoy.

Entre as possibilidades para os prédios estão as câmeras com gravação de imagem em alta definição, apontadas como investimento importante. As chamadas clausuras, espaços que isolam o carro do visitante para que os vigilantes possam fazer uma avaliação mais precisa de quem chega, também são itens muito usados. Postos externos, controles de acesso com finger e hand scan, elevadores com biometria, sem falar nas cercas e sensores, completam o pacote.

Nada, contudo, é suficiente para garantir a inviolabilidade desses condomínios. O capitão Godoy cita casos de assaltantes que enganaram o porteiro que bloqueava a entrava ao chegar com um carro de vidro escuro parecido com o de um morador. "São erros de procedimentos que devem ser corrigidos e por isso o treinamento é sempre necessário", diz.

Blindagem. Resta aos moradores mais assustados e escaldados apelar para soluções dentro dos próprios edifícios. A arquiteta Bia Bastos, por exemplo, lembra quando trabalhou em Pinheiros em um edifício cujas cotas condominiais eram de R$ 12 mil. Em alguns apartamentos, teve de combinar a decoração com a instalação de portas blindadas nas entradas de serviço, social e quarto. "Era para que eles se sentissem seguros dentro de casa."

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