Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Em 9º dia de greve, cidades sofrem com falta de recolha de lixo em SP

Uma audiência no Tribunal de Justiça na tarde desta terça-feira, 31, discutirá a liminar que prevê que 70% do serviço seja mantido

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

31 de março de 2015 | 10h54

Atualizada às 12h44.

SÃO PAULO - A greve dos coletores de lixo, que atinge cerca de 130 cidades no Estado de São Paulo, chega ao nono dia nesta terça-feira, 31, data em que a Justiça marcou uma audiência para o restabelecimento da maior parte da coleta. Em Diadema, na região do ABC, há sacos de lixo espalhados pelas vias públicas, alguns deles já rasgados. A paralisação começou na segunda-feira da semana passada, dia 23, e até agora não há uma resolução: os trabalhadores pedem reajuste salarial de 11,73%, mas as empresas querem oferecer só 7,68%. 


Secretária em uma escola particular no centro de Diadema, Mariana Mendes, de 24 anos, conta que as pilhas de saco de lixo crescem tanto no centro quanto no bairro onde mora, o Parque Real. "Por aqui tem bastante lixo acumulado, próximo aos estabelecimentos, em sacos pretos, e também na rua do trólebus, a Avenida Antônio Piranga."

Ela diz que, tanto em casa, quanto na escola onde trabalha, o lixo não tem sido dispensado nas ruas. "É muito caro para contratarmos uma empresa de fora para vir recolher, por isso vamos acumulando."

De acordo com a Federação dos Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação Ambiental, Urbana e Áreas Verdes do Estado de São Paulo (Femaco), uma audiência está agendada para as 14h30 no Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região (TRT-2), na região central de São Paulo, onde será discutida a questão da liminar que garante às empresas contar com pelo menos 70% do efetivo dos coletores de lixo.

Municípios como Diadema alegam que nenhum gari tem feito a coleta nos últimos dias, mas a Femaco contesta e informa que a decisão liminar tem sido respeitada. Na reunião, pode ser que o Sindicato das Empresas Urbanas de São Paulo (Selur), que representa os patrões dos garis, ofereça uma contraposta mais atraente para a categoria. O próprio TRT-2 havia sugerido um reajuste maior, de 9,5%.

Coleta. Em Santo André, também no ABC, a prefeitura informou que a recolha de lixo voltou a operar normalmente nesta terça-feira, 30, embora a greve ainda não tenha se encerrado. "O trabalho será realizado com equipes da empresa terceirizada que não aderiram ao movimento e com equipes próprias", informou o Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa), por meio de nota à imprensa.

Ainda de acordo com o órgão, a expectativa é de que "até o próximo sábado a coleta seja normalizada em todos os pontos da cidade". Deve-se ressaltar que o trabalho normalizado é de coleta e não de varrição. Portanto, os sacos de lixo serão recolhido em pontos de acordo com a programação semanal para cada bairro. Os moradores podem saber quando os caminhões vão passar em casa entrando no site da Semasa.

Em Diadema, a prefeitura informou que vai multar a empresa contratada para fazer a coleta na cidade, a Sustentare Saneamento S.A. "A multa será diária e poderá ser aplicada caso a Sustentare não volte a recolher o lixo nas próximas horas", informou por meio de nota o governo municipal, sustentando ainda que "o contrato com a empresa poderá ser rescindido" caso a greve perdurar.

A prefeitura divulgou ainda que, por dia, acumulam-se pelas ruas do município cerca de 230 toneladas, com a paralisação dos profissionais que recolhem o lixo. Ao todo, existem 90 coletores da empresa contratada para o serviço.

Uma equipe emergencial foi criada pela prefeitura para tentar "minorar a situação". Esse grupo consegue recolher, em média, 90 toneladas de lixo diariamente.

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