Em 5 livros, 5 séculos de história paulista

Obras ainda convidam leitor a conhecer in loco endereços importantes para o Estado

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2012 | 03h02

Cinco livros que serão lançados na próxima semana pretendem resumir os quase cinco séculos da história paulista. Trata-se da coleção História Geral do Estado de São Paulo, coordenada pelo professor Marco Antonio Villa.

"Há uma enorme dificuldade bibliográfica sobre o tema. Não faltam livros de história da cidade de São Paulo, mas é difícil encontrarmos obras sobre o Estado", diz Villa, que é doutor em História e mestre em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP) e leciona na Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). "Até o fim do século 19, a ideia de Estado era puramente administrativa. A história da cidade e a história do Estado, no fim das contas, eram uma coisa só", afirma o sociólogo e colaborador do Estado José de Souza Martins, autor de um dos livros da coleção.

Os cinco volumes apresentam São Paulo dividida cronologicamente. No fim de cada volume, o capítulo chamado de Lugares da Memória convida o leitor a expandir o conteúdo do livro conhecendo in loco endereços que ajudam a contar um pouco da história do Estado.

Primórdios. O primeiro volume, de autoria do historiador da USP José Jobson de Andrade Arruda, mostra a formação do Estado nos séculos 16 e 17. Ele analisa o povoamento, o sertanismo, a vida econômica e a formação da sociedade paulista. Entre os passeios sugeridos estão as ruínas de Abarebebê, em Peruíbe, ponto de comércio de escravos em 1530, e, na capital paulista, o Pátio do Colégio e a Capela de São Miguel Arcanjo.

Coube ao também professor da USP Francisco Vidal Luna apresentar São Paulo no século 18. O volume relata as consequências sentidas por aqui com o término da União Ibérica, em 1640 - foi um momento em que Portugal estimulou o desenvolvimento da capitania. Luna também mostra os impactos causados pela mineração e a questão da escravidão negreira.

Várias edificações religiosas no litoral marcaram essa época e ainda resistem. É o caso da Igreja de Santo Antonio do Valongo, em Santos (Largo Marquês de Monte Alegre, 13) e a Basílica do Senhor Bom Jesus, em Iguape. Na cidade de São Paulo, um destaque é o Mosteiro da Luz.

Professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Leonardo do Nascimento esmiuçou o Estado no século 19. Ele aborda o que foi o primeiro momento da modernização da sociedade paulista, com relatos de viajantes estrangeiros e manifestações literárias da província. As transformações sociais, econômica e políticas de São Paulo no período também são analisadas.

Entre as indicações do século 19 estão o Teatro Guarani, em Santos (Praça dos Andradas, 100), e a antiga Igreja de Nossa Senhora Aparecida, na cidade de mesmo nome no Vale do Paraíba. No caso paulistano, um exemplo é o Jardim da Luz.

Mais próximos do momento presente, o sociólogo José de Souza Martins e a historiadora e professora da Unesp Tania Regina de Luca dividiram o século 20 em duas partes. "Estudo a história paulista há 60 anos. Então foi só sentar e escrever", afirma Martins. Ambos destacam a consolidação da sociedade industrial, a diversidade humana e o custo da modernidade. Entre os locais relevantes que retratam a época, vale visitar o Teatro Municipal, bem no centro da capital.

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