Em 4 anos, 4 mil crianças morreram no trânsito

Pesquisa foi feita pela administradora do Seguro DPVAT, que o motorista é obrigado a recolher, e aponta ainda que 7.302 crianças ficaram inválidas

FÁBIO GRELLET, CLARISSA THOMÉ / RIO, O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2012 | 03h06

Mais de 4 mil crianças de até 10 anos morreram em acidentes de trânsito no Brasil nos últimos quatro anos. Os dados são da Seguradora Líder DPVAT, administradora do Seguro DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres).

Todo dono de veículo é obrigado a recolher anualmente esse seguro, revertido para vítimas de acidentes. Entre setembro de 2008 e agosto de 2012, 4.056 crianças morreram e 7.302 tiveram invalidez permanente. O número inclui tanto crianças que estavam nos veículos quanto as atropeladas.

Os carros são responsáveis por 54% das ocorrências e as motos, por 33%. Acidentes envolvendo ônibus e caminhões provocaram, juntos, 993 mortes e 516 casos de invalidez permanente entre crianças.

Historicamente, a maioria das vítimas de acidentes tem entre 25 e 34 anos. Em 2011, das 58.134 mortes no trânsito brasileiro, 23% estavam nesta faixa etária. No primeiro semestre deste ano, este porcentual foi de 24% entre as 29.770 vítimas.

No período pesquisado, o Sudeste teve a maior incidência de ocorrências entre crianças (28%), seguido pelo Sul (27%) e Nordeste (25%). A situação é mais preocupante no Nordeste, que concentra só 11% da frota nacional de automóveis, mas foi o local de 25% dos acidentes. O Sul reúne 21% da frota, enquanto o Sudeste concentra 56% dela.

"Já presenciei crianças de 10 e 11 anos que chegam acidentadas e estavam dirigindo veículos", afirma o pediatra Fernando Moreira, especialista em trânsito.

"Evitar o excesso de velocidade, álcool e drogas são alertas feitos a todo momento, mas as pessoas não se conscientizam", frisa Dirceu Rodrigues, diretor do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet).

A pesquisa considera as indenizações pedidas de acordo com a data de ocorrência do acidente. As estatísticas ainda podem aumentar, pois as vítimas têm três anos a partir da data do acidente para requerer o Seguro DPVAT.

Tragédia. No Natal de 2000, Josefa, de 66 anos, e a neta Carolina, de 4, foram atropeladas e mortas por um ônibus na Tijuca, zona norte do Rio. "Perdi mãe e filha. Você se torna um morto-vivo em função da dor", diz a psicóloga Maria José da Silva Amaral, de 46 anos.

O motorista não foi punido. "É decepcionante. As penas são muito brandas e a vida não pode ser tratada com banalidade", afirma Maria, que passou a integrar um grupo de apoio emocional e jurídico a vítimas de acidentes de trânsito.

Ela também escreveu o livro Seguindo a Estrada, com depoimentos de perdas.

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