Em 30 anos, 3 gerações de vilões e super-heróis

Na década de 1980, era difícil o trabalho; hoje, desenhistas têm fama internacional

Filipe Vilicic, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2010 | 00h00

O paulista Ivan Reis, nascido em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, é um dos principais nomes do boom de quadrinistas brasileiros no exterior. Contratado pela DC Comics, é o desenhista oficial do Lanterna Verde há quatro anos e, antes, trabalhou por dois anos com o Super-Homem. No próximo dia 23, Reis disputa, nos Estados Unidos, o Eisner Awards, considerado o Oscar do gênero.

 

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Desde 2007, os brasileiros têm marcado presença anualmente nessa disputa. Paulistanos participaram das últimas três últimas edições. "Quando virei desenhista profissional, com 13, 14 anos, não achava que um dia poderia desenhar personagens desse porte", conta Reis. "Hoje a moçada já começa com esse foco. Isso porque mostramos para eles que é possível."

Aos 34 anos, Reis faz parte do que os quadrinistas chamam de segunda geração de desenhistas - atualmente, já há uma terceira. É um pessoal que começou a ganhar espaço no mercado internacional nos anos 1990. No caso dele, foi em 1995, quando ilustrou uma história de terror para a editora americana Dark Horse.

Na época, ele era ilustrador do estúdio de Mauricio de Sousa (da Turma da Mônica), na Lapa. "Muitos começaram lá", comenta. "E tive a chance lá fora com a agência Art&Comics, que era perto do Mauricio."

Reis fez testes com a agência, que conseguiu trabalhos para ele nos Estados Unidos. Menos de um ano depois, parou de desenhar a Mônica e passou a se dedicar aos super-heróis.

"A Art&Comics é a responsável por iniciar esse fluxo para o exterior", aponta o desenhista Marcelo Campos, pioneiro nesse trabalho. Em 1988, foi convidado a fazer testes para fora. Um ano depois, começou a colaborar com três pequenas editoras americanas.

"Em 1991, fui o primeiro a ingressar em uma grande editora dos Estados Unidos", recorda. No caso, a DC, de Batman, Super-Homem e companhia. No mesmo ano, ele assumiu o título da Liga da Justiça. Campos destaca que naquela época não se confiava no profissional brasileiro. "Achavam que não cumpriríamos prazos, não faríamos como pediam. Além disso, não havia internet e mandávamos tudo por fax, falávamos por telefone."

Por esses motivos, não era tão fácil conseguir trabalho. "Com o tempo, provamos que somos bons", afirma. "Isso abriu portas para que a nova geração não passasse pelos mesmos empecilhos e fosse bem recebida."

Novos. Depois de Campos, vieram Ivan Reis, Roger Cruz e outros. Para ter mais receptividade no mercado americano, eles mudavam os nomes. João Prado, por exemplo, virou Joe Prado. Roger Cruz é Rogério da Cruz.

"Hoje o brasileiro é reconhecido e nem precisamos mais alterar nossos nomes", diz Amilcar Pinna (que se chama Amilcar mesmo), da terceira e nova geração. O sucesso também tornou possível a publicação de personagens e histórias de novatos no exterior. Como faz Gabriel Bá, Fábio Moon, Rafael Grampá. "Esse também será meu próximo passo. Mostrarei histórias urbanas inspiradas em São Paulo", diz Amilcar.

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