Em 3 dias, dois ataques sexuais no metrô

Na Estação Anhangabaú, um homem foi preso; na Sacomã, mulher correu de agressor pelado

Camilla Haddad e Cida Alves, O Estado de S.Paulo

22 Julho 2011 | 00h00

Nos últimos três dias, houve dois ataques sexuais no Metrô de São Paulo. Uma mulher teve de fugir de um homem pelado e outra, após ser importunada, conseguiu que o agressor fosse preso. Só neste ano já foram pelo menos 50 casos de abuso ou assédio sexual nas estações, um a cada quatro dias.

O mais grave ocorreu às 9h20 de terça-feira e envolveu a professora A.C, de 34 anos, que não entrava em uma estação havia três anos. Ela pediu informações a um homem que estava encostado em uma parede da Estação Sacomã (Linha 2-Verde). E quase foi atacada.

A. chegou à estação pela entrada da Rua Bom Pastor e foi pedir informações ao homem, que aparentava estar esperando alguém. "Perguntei como chegar até a Estação Ana Rosa (Linha 1-Azul). Nem ouvi a voz dele. Ele só apontou a escada e deu um passo à frente de mim. Quando subi, na curvinha da escada, onde não tem câmera, ele me segurou com um braço e com o outro abaixou as calças. Ficou nu."

Ela reagiu e se soltou. O homem fez um gesto como se fosse sacar uma faca da jaqueta e tentou agarrá-la de novo. "Não sei de onde tirei tanta força. Quando ele puxou a gola da minha camisa, corri e gritei: "Tarado! Tarado!" Nenhum segurança do Metrô apareceu. Quem correu atrás dele foram os passageiros."

Segundo a descrição da vítima, o suspeito aparentava ter cerca de 30 anos e é negro, alto, forte e tem a cabeça raspada. No dia do ataque, vestia uma jaqueta marrom escura, blusa preta e calça branca.

O delegado titular da Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), Valdir Rosa, informou que as câmeras de segurança mostram o homem em atitude estranha, minutos antes do ataque. "Ficava andando de um lado para outro da estação e parecia mexer com as pessoas que passavam." Rosa informou que não registrou o caso como estupro porque o suspeito exibiu o órgão genital, mas não tocou a vítima. "O fato de ele segurar a mão dela não foi nem lesão, porque não se sabe a intenção." Só neste ano, foram registrados outros sete casos semelhantes, de ato obsceno, no metrô.

Anhangabaú. Os dados do departamento local de polícia apontam ainda 42 casos de "importunação ofensiva ao pudor" - quando alguém toca ou encosta o corpo de outra pessoa de maneira intencional dentro do vagão. O último desses casos ocorreu na tarde de ontem, no centro.

Agentes de segurança do Metrô detiveram em flagrante um homem suspeito de abordar uma mulher de maneira libidinosa por volta das 18h30 na Estação Anhangabaú (Linha 3-Vermelha), após o alerta de uma passageira. A equipe de segurança conduziu o infrator para a Delegacia do Metropolitano.

Depois do episódio, o Departamento de Segurança do Metrô anunciou ontem que reforçou a segurança da estação - até com efetivo à paisana. "Transportamos mais de 9 milhões de pessoas no primeiro semestre nas Estações Sacomã, Tamanduateí e Vila Prudente e tivemos um ato obsceno", afirma Rubens Menezes, chefe do departamento.

Segundo ele, a escada usada pela vítima é uma opção para quem não quer usar escada rolante. "Em relação ao volume de passageiros transportados, o ato obsceno não é comum nas estações."

Mas A.C. acredita que a situação seja mais recorrente do que mostram os números. "Muitas mulheres escondem o fato. Não creio que seja um caso isolado."

Denúncias. O Metrô orienta os passageiros a comunicar aos funcionários da empresa qualquer atitude inadequada registrada dentro dos trens e estações do sistema. As denúncias podem ser feitas pessoalmente ou por meio de mensagem de texto, do serviço SMS Denúncia (7333-2252), que funciona 24 horas por dia. /COLABOROU JOÃO PAULO CARVALHO

PARA LEMBRAR

Houve registro de 3 estupros

Nos últimos 12 meses, duas passageiras foram dominadas por estupradores na zona leste e obrigadas a desembarcar e seguir até um local perto do metrô. O caso mais recente ocorreu em 5 de abril na Estação Brás - o homem chegou até mesmo a gravar a agressão.

Duas semanas depois, uma supervisora de 26 anos relatou à polícia que foi molestada em um vagão da Linha 2-Verde, entre as Estações Paraíso e Brigadeiro. O suspeito colocou a mão por baixo da saia, rasgou a calcinha e passou a tocá-la.

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