EM 3 ANOS, 210 ADESÕES AO PROJETO

"Bandidos tentaram invadir minha escola de inglês recentemente, de madrugada. Um vizinho acionou a PM, os policiais chegaram e botaram os criminosos para correr. Só fiquei sabendo no dia seguinte e nada foi roubado." O depoimento da empresária Regina Guirelli ilustra bem a principal vantagem do projeto Vizinhança Solidária: a parceria entre os moradores da mesma rua na ajuda ao combate ao crime.

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2012 | 03h05

Integrante do Núcleo de Líderes de Santo André, do Conselho Comunitário de Segurança de sua área (Conseg Centro) e da Associação Comercial e Industrial de Santo André, ela foi uma das responsáveis pela implantação do programa, há três anos, no município da Grande São Paulo. Hoje já são 210 placas indicativas de grupos participantes, em 13 bairros da cidade.

Instalada em postes, cada placa tem a figura de um bandido sob o sinal de proibido e dizeres como "área vigiada pela comunidade" e "comunicamos toda atitude suspeita imediatamente à Polícia".

"Inspiramo-nos em projetos semelhantes implantados em outras partes do mundo, como no Japão", conta a empresária. Cada placa instalada tem um tutor, um responsável por conscientizar a vizinhança. "A ideia é que todos se voltem para os vizinhos, que saibam dos hábitos de cada um e sejam avisados, por exemplo, quando um deles viaja. Trocamos os contatos, temos os celulares dos participantes", explica ela. Essa rede de informação auxilia para que cada um vigie não só sua casa ou estabelecimento comercial, mas também o entorno.

"A conscientização é a principal ferramenta do projeto, mais do que as placas ou os panfletos que distribuímos", afirma Regina. "Promovemos palestras e mostramos a importância de a comunidade estar unida. É na parceria com os vizinhos que está o segredo do sucesso."

E é essa iniciativa que a Secretaria de Segurança Pública do Estado pretende trazer para a capital paulista. "É um programa no qual moradores e proprietários de estabelecimentos comerciais podem cadastrar seus imóveis numa unidade da polícia", explica o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Roberval Ferreira França. " Eles vão ceder nome, telefone, dados de identificação e colocar na frente desses imóveis ou estabelecimentos a identificação do Vizinhança Solidária. A partir desse momento, é formada uma rede de proteção, de auxílio mútuo. Teremos deles um compromisso de adotar medidas para elevar os padrões de segurança e a polícia passa a promover palestras de orientação, sensibilização, avaliação de risco dos imóveis. Também faz parte do programa um sistema de notificação rápida da polícia por qualquer morador, não mais pela vítima de um roubo ou alguém ameaçado."

/ COLABOROU WILLIAM CARDOSO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.