Em 2011, 3 DPs não relataram homicídios

No ano, Campo Grande, Vila Carrão e Parque da Mooca foram as únicas áreas sem assassinatos

FELIPE TAU , GIO MENDES, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2011 | 03h04

A existência de fortes vínculos na comunidade, a ausência de vida noturna agitada e a presença de moradores antigos são apontadas como antídoto a crimes tanto por moradores como pela polícia dos bairros paulistanos sem registros de homicídio nos primeiros oito meses do ano: Vila Carrão e Parque da Mooca, na zona leste, e Campo Grande, zona sul.

"A qualidade da vizinhança é excelente. Se algum dia ocorrer uma morte aqui, poderá ser um homicídio passional, que acontece dentro de casa e a polícia não tem como evitar", diz Walter Augusto Marques, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do Alto da Mooca, área do 57.º Distrito Policial.

"A maior parte está há 50, 60 anos no bairro. Todo mundo se conhece e isso ajuda", diz Francisco Diniz, de 78 anos, morador do Parque da Mooca desde que nasceu. "Eu me sinto seguro e caminho à noite sem problema."

Chefe dos investigadores do 31.º DP (Vila Carrão), Adalberto Borges de Lima diz que ajuda ter poucos bares e casas noturnas na área da delegacia, uma explicação usada também por moradores. "Os poucos (bares) são frequentados por famílias e por pessoas adultas, o que contribui para não haver confusão", diz Sergio Berti, vice-presidente do Conseg de Campo Grande.

Apesar da ausência de homicídios dolosos (quando há a intenção de matar), a área do 99.º DP (Campo Grande) registrou uma morte violenta em março, quando uma pessoa foi vítima de latrocínio (roubo seguido de morte).

Outros crimes. Enquanto os homicídios diminuíram, roubos e latrocínios cresceram no Estado de janeiro a agosto de 2011, segundo os dados da Secretaria Estadual da Segurança Pública. Agosto foi o mês com o maior número de roubos neste ano na capital (10.289 casos) e as três delegacias que não registraram homicídio até agora não fogem a essa realidade. Moradores desses bairros reclamam principalmente de roubos de carros e "saidinhas" de banco (assaltos a clientes de agências bancárias).

"Minha rua deve ser a campeã dos roubos de veículos. Há um ano tentaram levar o do meu ex-marido", diz a cabeleireira Ana Teresa Diogo, de 49 anos, que mora na Rua Engenheiro Pegado, a quatro quadras do distrito policial da Vila Carrão. "A gente ouve falar em roubo de carro na Rua do Oratório", diz o comerciante Sérgio Ricardo Mora, de 43 anos, do Parque da Mooca. Os responsáveis pelo policiamento ostensivo nas três áreas dizem que a Polícia Militar realiza operações para combater roubos após mapear os locais com maior incidência de crimes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.