Em 2004, tragédia em boate na Argentina deixou 194 mortos

Como no RS, um sinalizador foi disparado durante show. A repercussão do caso levou à queda do prefeito

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2013 | 02h07

Na noite de 30 de dezembro de 2004, a discoteca República Cromañón, de Buenos Aires, foi o cenário da maior tragédia não-natural da história da Argentina. Um incêndio com características similares à tragédia de Santa Maria - provocado por um sinalizador disparado por um frequentador dentro da casa de shows - provocou a morte de 194 pessoas, a maior parte delas asfixiada. Outras 1.432 pessoas ficaram feridas.

A tragédia teve impacto político e cultural. O prefeito de Buenos Aires na época do incêndio, Aníbal Ibarra, foi alvo de um processo de impeachment e destituído dois anos depois. Ele foi acusado de não ter feito a fiscalização. A carreira política de Ibarra, que despontava como líder progressista, implodiu. À época cotado para uma eventual sucessão presidencial, é hoje deputado estadual.

Na calçada da discoteca há hoje um santuário para homenagear os mortos. Os parentes, durante meia década, realizaram frequentes marchas para exigir justiça.

A vida noturna portenha sofreu uma drástica guinada, já que várias discotecas foram fechadas pela fiscalização municipal.

Nos anos seguintes, as grandes discotecas fizeram modificações para evitar incêndios. No entanto, especialistas afirmam que essas mudanças foram mais uma "maquiagem" do que reais.

Dono. Na noite da tragédia, o dono da casa, o empresário Omar Chabán, um personagem histórico da noite portenha, havia autorizado a venda de entradas em um número três vezes superior à capacidade da Cromañón. Além disso, Chabán e seus sócios costumavam deixar as portas de emergência fechadas para evitar, segundo argumentaram posteriormente, que entrassem "penetras".

Muitas jovens, fãs da banda de rock Callejeros, que tocava naquela noite, eram mães adolescentes e haviam levado seus bebês. Elas chegaram a montar uma creche improvisada. Vários bebês morreram asfixiados.

Chabán foi uma das primeiras pessoas a sair do lugar quando o incêndio começou. Ficou olhando da calçada, até que foi reconhecido por uma garota, que lhe deu um tapa na cara. O empresário acabou condenado a 20 anos de prisão. Ele apelou à Justiça, que revisou a pena dada anteriormente. O novo tribunal concedeu nova pena, desta vez de 10 anos e 9 meses de prisão.

Ontem, os parentes das vítimas da discoteca Cromañón, reunidos na organização "Que não se repita", emitiram um comunicado no qual expressam sua comoção e solidariedade com os parentes das vítimas da discoteca Kiss em Santa Maria.

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