Em 2 meses, metade dos DPs da capital já estourou meta trimestral de roubos

Situação deixa cidade perto de ultrapassar limite imposto pelo governo: só entre janeiro e fevereiro, foram 25.697 ocorrências, e o teto até março é de 27.017 casos. Trava foi criada para pagar bônus à polícia e tentar reduzir a criminalidade

Daniel Trielli e Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

25 Abril 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Quase metade dos distritos policiais paulistanos já estourou a meta de redução de criminalidade do governo do Estado. Dos 93 DPs da capital, 41 já superaram, em dois meses, o limite máximo trimestral de roubos imposto pela Secretaria da Segurança Pública. Com isso, toda a cidade está ameaçada de ultrapassar o número. Para atingir a meta, São Paulo deve ter, em março, 1.320 ocorrências, um décimo do que foi registrado em fevereiro. Os números do mês serão divulgados hoje.

Os critérios determinam o pagamento de bônus para policiais civis e militares, de acordo com o plano enviado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) à Assembleia Legislativa em 20 de dezembro do ano passado. O projeto ainda está em tramitação de urgência, mas, ao ser aprovado, será retroativo para janeiro. O plano é uma das apostas do governo para estancar a criminalidade.

Segundo o detalhamento das metas, o objetivo era, na comparação entre o primeiro trimestre de 2013 e de 2014, reduzir os homicídios e igualar o resultado em dois critérios de crimes contra o patrimônio: roubos (exceto os de veículos, de carga e a bancos) e roubos e furtos de veículos.

A média de ocorrências na capital paulista, no entanto, está perto de ultrapassar o limite. O Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) registrou 25.697 roubos no primeiro bimestre, apenas 4,9% abaixo da meta trimestral, de 27.017 ocorrências. No quesito de roubos e furtos de veículos, a situação é um pouco melhor, mas nem tanto. Entre os 23.278 casos do primeiro trimestre de 2013 e os 17.525 dos dois primeiros meses deste ano há uma margem de 5.753 ocorrências, ou dois terços do registrado em fevereiro (8.841).

Para o presidente da Comissão de Segurança Urbana da Ordem dos Advogados do Brasil - seção São Paulo (OAB-SP), Paulo Isaz de Morais, a falha em reduzir os crimes é reflexo do baixo nível de resolução das investigações. Segundo Morais, estima-se que só 2% dos crimes contra o patrimônio têm a autoria conhecida. "Está faltando um efetivo aparelhamento da polícia como um todo. O índice tão elevado sem solução serve como incentivo na hora que o ladrão faz a análise de risco de roubar. Vira um bom negócio para o criminoso."

Vice-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Público, o sociólogo Renato Sérgio de Lima, da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), considera que a atuação policial é prejudicada pelo modelo "arcaico" de ter três polícias (Militar, Civil e Guarda Municipal Metropolitana), o que "reforça mais o antagonismo do que integração".

Procurada pela reportagem, a SSP não se manifestou até as 21h30 desta quinta-feira, 24.

Mortes. No caso das vítimas de letalidade violenta (homicídios e latrocínios), a meta de redução varia de região para região. No Estado em geral, o objetivo é diminuir em 7,4%, de 1.379 para 1.277 pessoas. No primeiro bimestre, foram 870, o que dá uma margem de 407 vítimas para março. Para comparar, em fevereiro foram 389 e, em janeiro, 481. A situação mais crítica é a do Departamento de Polícia do Interior (Deinter) 2 - Campinas, que deveria registrar 94 casos no trimestre, mas já teve 80 no bimestre.

 

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