Em 2 meses, CV e PCC negociaram R$ 7 milhões em drogas

Facção de São Paulo já se tornou a maior fornecedora de drogas para morros do Rio de Janeiro

Josmar Jozino, do Jornal da Tarde,

25 de setembro de 2008 | 09h21

O Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa paulista, já se tornou o maior fornecedor de cocaína para o Estado do Rio e abastece de drogas comprovadamente seis morros cariocas dominados pelo Comando Vermelho (CV), além de fornecer armas e munição, segundo as Polícias Civil e Federal. Em dois meses, a venda de drogas movimentou cerca de R$ 7 milhões.   Veja também:  PCC vende drogas aos morros do Rio   Nova conexão da cocaína surpreende polícias       A revelação do elo entre as duas facções criminosas foi feita pelo delegado João Luiz Costa, um dos responsáveis pela identificação de três traficantes presos por agentes paulistas em 30 de junho deste ano, no Parque São Rafael, na zona leste de São Paulo.   De acordo com as Polícias Federal e Civil, os traficantes paulistas movimentavam em média R$ 1,1 milhão por mês com a venda de cocaína para o Comando Vermelho, a maior facção criminosa do Rio. Mas, em alguns meses do ano passado, esse valor foi ainda maior: em julho e agosto de 2007, por exemplo, a contabilidade do PCC indica o recebimento de R$ 7 milhões por drogas enviadas a Vigário Geral, Mangueira, Andaraí, Borel, Nova Holanda e Madureira, no Rio, e à cidade fluminense de Magé.   Para se ter idéia do que vem sendo negociado, vale lembrar que o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Carcerário revelou neste ano um "livro caixa" do PCC, descoberto pela polícia. Ele mostrava que a facção "arrecadava cerca de R$ 4,8 milhões por mês com assaltos, roubos a bancos, seqüestros e tráfico".   Na contabilidade encontrada em junho na zona leste de São Paulo, constavam diversas anotações como "Ronaldo e meninas - 96.000 e especial; "Vasco e particular"; "Alice (Vigário) e Birró"; "Andaraí e Borel"; "Crian e Fofito"; "Lindomara e Holanda"; "Renatinho e Madureira"; "Brasil e total 50.000". Havia ainda documentos com as seguintes anotações e valores: "Morros - junho 171.000" e "agosto - 113.000". Em outras anotações apreendidas, havia datas e valores de supostos pagamentos do tráfico em nome de "Vasco". Na contabilidade, consta, por exemplo, que em 7 de maio deste ano, "Vasco" comprou 11 quilos de cocaína.   Morte   A Polícia Civil do Rio teve de decifrar alguns códigos usados pelos traficantes. Na lista, Brasil significa 1 quilo de cocaína e Ronaldo, 2,5 quilos da droga. MK e .30 são fuzis. Jujuba significa munição. Sabe-se também que armamento pesado foi remetido ao Alemão, Nova Holanda e Mangueira e já está nas mãos de criminosos.   Nos números apreendidos em São Paulo há encomendas de dois traficantes, Pé e R.B., que podem estar envolvidos na suposta execução do traficante Antônio Ferreira, o Tota, no Alemão.

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