Gustavo Rampini
Gustavo Rampini

Em 2 horas, 3 mortos e 73% a mais de raios

Cidade teve 1.736 raios na noite de domingo; vítimas ainda não foram identificadas

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2011 | 00h00

A chuva forte que durou apenas duas horas na noite de domingo fez o paulistano começar mal a semana. Três pessoas morreram arrastadas pela enxurrada, duas na zona leste e uma na norte. Um fator curioso (e assustador) chamou a atenção das pessoas: a quantidade de raios que caíram com a chuva. Foram exatos 1.736, quando a média, mesmo para dias de chuva forte, não ultrapassa mil. Ou seja, 73% acima do normal.

"Não é algo comum. Mesmo no verão, não vemos mais que duas, três vezes a incidência de mil raios em um só dia", explica o pesquisador e coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Elat/Inpe), Osmar Pinto Junior.

Uma das hipóteses levantadas pelo pesquisador é de que o número anormal seja resultado da urbanização e da poluição da metrópole. "Esses fatores aumentam a temperatura local e injetam na atmosfera partículas que favorecem formação de gelo nas nuvens. É o que tende a produzir cada vez mais raios", afirma.

Mortes. Os corpos das três pessoas que morreram por causa das chuvas foram resgatados na madrugada e na manhã de ontem pelo Corpo de Bombeiros. Por volta da 1h30, policiais militares foram acionados para retirar o corpo de uma vítima de afogamento na altura do número 2.512 da Rua da Mooca, na zona leste. Era um homem que aparentava cerca de 35 anos. Ele estava preso debaixo de um Gol e foi encontrado pelo dono do veículo depois que o nível da água baixou. Até a tarde de ontem, ainda não havia sido identificado.

A segunda vítima foi localizada pela polícia cerca de meia hora depois na Rua Aiamá, na Penha, também na zona leste. Era um homem com idade entre 45 e 50 anos, que também não foi identificado. A polícia acredita que seja um morador de rua.

Na zona norte, um terceiro homem foi encontrado na altura do número 64 da Avenida Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira, no Parque Novo Mundo. Pela manhã, funcionários da Prefeitura encontraram o corpo preso nas ferragens de uma galeria pluvial. Ele também não havia sido identificado até ontem à tarde.

Com essas mortes, sobe para nove o número de mortos em decorrência da chuva na capital desde 1.º de dezembro, segundo a Defesa Civil Estadual. No Estado, os mortos já são 28.

Árvores e apagões. Entre as 23h do domingo e as 8h de ontem, 38 árvores caíram na capital, provocando também a queda de energia em vários locais e o apagão de 400 semáforos. Pela manhã, a Prefeitura afirmou que estava fazendo um mutirão para liberar as vias. Em plena madrugada, à 1h, o congestionamento na Marginal do Tietê era de 35 km. A capital registrou 46 pontos de alagamento, segundo medição do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) - quatro deles ainda permaneciam ativos até as 10h de ontem. / COLABOROU MARCELA SPINOSA

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