Em 2 anos, queda de raios em SP cresce 42%

Fenômeno comum em grandes cidades envolve aumento de chuvas e ilhas de calor

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2011 | 00h00

O risco de ser atingido por um raio em São Paulo aumentou. Dados de 2009-2010 do Ranking de Incidência de Raios do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam ainda que a queda de raios cresceu 42% em relação ao biênio anterior. Em média, são 62 por dia na capital paulista, o que significa 22.956 por ano e 14,8 por km².

Trata-se de um problema que acompanha o crescimento das grandes cidades. Nos municípios com mais de 200 mil habitantes (95 nesse estudo), as quedas avançaram 11% no biênio 2009-2010 - enquanto a média nos 3.180 municípios pesquisados nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste foi de 5%.

Razões. O coordenador do Elat, Osmar Pinto Junior, explica que, quanto maior o aumento de temperatura provocado pelo adensamento das áreas urbanas, mais chances de tempestades e, em consequência, de incidência de raios.

"À medida que as cidades vão crescendo, com aumento de população, carros e poluição, há o processo de ilhas de calor. E isso se reflete diretamente na incidência de tempestades, que têm relação direta com raios que atingem o solo."

Das 20 cidades que lideram o ranking, 10 estão na Região Metropolitana de São Paulo - e isso inclui algumas com população pequena, como Rio Grande da Serra, de 44 mil habitantes. "As tempestades não conhecem as fronteiras dos municípios", diz Pinto Junior. No Estado de São Paulo, a cidade com maior incidência foi São Caetano do Sul, no ABC paulista. Foi registrada uma densidade de 22 raios por km² ao ano. Isso significa 346 raios por ano - em um território de pouco mais de 15 km².

A cidade já tem um histórico de grande incidência de raios. No levantamento anterior, São Caetano era a cidade brasileira com maior incidência. No último biênio, entretanto, perdeu a posição para a pequena Porto Real, no sul do Estado do Rio.

Corredor de raios. Com 16,5 mil habitantes e uma área de 50 km², Porto Real recebeu 27 quedas de raios a cada km² por ano - a maior proporção do País. A cada ano, a cidade que fica próximo a Resende registrou 137 raios. O diretor-geral da Defesa Civil, Cassiano da Silva Alves, afirma que não tem informações recentes de mortes, mas os prejuízos são grandes. "No último verão, teve uma casa, ainda em fase de construção, que queimou a madeira do telhado. Até a parede ficou com buraco", diz.

Quando analisadas todas as cidades do País, a incidência de raios permaneceu estável. "Ainda não é possível perceber se as mudanças climáticas aumentam o número de raios", ressalta Pinto Junior.

PRESTE ATENÇÃO...

1. Fique longe do telefone. Em chuvas, evite falar em telefones com fio, que conduzem corrente elétrica. Procure ficar longe de objetos metálicos. Desligue os aparelhos eletrônicos da tomada e use filtros de linha nos aparelhos mais sensíveis.

2. Nada de ficar perto de árvores. Afaste-se de postes de iluminação, árvores e cercas de arame farpado, que conduzem eletricidade. Também se deve evitar ficar em locais descampados. Se possível, fique dentro de um carro e evite tocar nas partes metálicas. Ainda evite o mar e as piscinas - também não é recomendado nadar durante as tempestades.

3.Em lugares abertos. Se estiver em um parque ou um lugar aberto e não encontrar onde se abrigar, fique agachado, com as mãos na nuca e os pés juntos. Evite quiosques e árvores em locais abertos. A melhor forma de se proteger é sempre buscar edificações.

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