Em 1993, prefeita Erundina propôs a demolição do Minhocão pela 1ª vez

Alegação dos que defendem o projeto é de que elevado é o principal responsável pela degradação da região

Daniel Gonzales, do estadão.com.br

06 de maio de 2010 | 11h53

 

A ex-prefeita da capital Luiza Erundina, cuja gestão foi de 1989 a 1993, foi a primeira chefe do Executivo municipal a defender a demolição do Elevado Costa e Silva - via elevada de 3 km que havia sido construída em um tempo recorde de 11 meses e inaugurada anteriormente, em janeiro de 1971 por Paulo Maluf.

 

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À época, em 1993, a alegação de Erundina era de que o Minhocão era o principal responsável pela degradação do trecho central do eixo Leste-Oeste da capital, atraindo moradores de rua e usuários de drogas. Mas ela não conseguiu levar o plano adiante justamente porque sua gestão acabou e seu sucessor - o mesmo Maluf - preservou a obra.

 

Por causa principalmente da depreciação visual causada pelo elevado, o ex-prefeito José Serra, que classificou o Minhocão de "aberração", trouxe o tema de volta às discussões municipais em 2006. Naquele ano, ele relançou um prêmio de arquitetura e urbanismo, o Prêmio Prestes Maia, para que profissionais da área apresentassem alternativas ao elevado e para a recuperação área no entorno.

 

A ideia de Serra já era desviar todo o trânsito para uma futura avenida, a ser construída em áreas ociosas ao lado dos trilhos da CPTM. Ele chegou a anunciar um custo de R$ 80 milhões para a demolição.

O projeto vencedor foi o da arquiteta Juliana Corradini, que não previa a demolição total, mas sim o aproveitamento da estrutura para dar novo uso ao Minhocão. A ideia era acoplar uma estrutura metálica ao elevado, fechando-o ao trânsito e transformando o esqueleto em um grande parque linear. O investimento seria de R$ 86 milhões e as obras poderiam durar até nove anos. Mas elas nunca começaram por dois motivos: falta de dinheiro e falta de alternativas ao tráfego pesado na área, porque a tal avenida imaginada por Serra também nunca saiu do papel.

 

Dois anos depois, em novembro de 2008, o assunto surgiu novamente, já na gestão de Gilberto Kassab. Na ocasião, Kassab declarou que era favorável à demolição da via elevada, "após a expansão da malha metroviária e ferroviária da região", e sua substituição por um novo eixo verde na capital.

 

Problemas sempre foram rotina na história do elevado. Já no fim de 1971, foi necessária uma obra de recuperação do asfalto, pois surgiram rachaduras próximas das juntas de dilatação. Na década de 1990, o Minhocão "alagava" - os ralos de escoamento entupiram com a sujeira atirada dos prédios próximos e pelos motoristas, provocando grandes poças quando chovia. Outro ponto polêmico desde o início foi o barulho, pois o elevado, em alguns trechos, fica a 5 metros de prédios residenciais. Em 1976, foi determinado o fechamento do elevado à noite, por conta de reclamações de moradores.

 

Texto atualizado às 12h10.

 

 

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