Em 15 minutos, Guarulhos tem 6 assassinatos

A participação de policiais militares nos crimes não é descartada; entre domingo e segunda-feira, dois PMs foram assassinados na cidade

TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2013 | 02h04

A polícia investiga a relação entre cinco homicídios ocorridos em um raio de 1 km no município de Guarulhos, na Grande São Paulo, terça-feira à noite. Em um dos casos, três homens atiraram contra frequentadores de um bar. No outro, dois adolescentes foram mortos na rua. A sexta morte na noite aconteceu após um policial reagir a um assalto.

A participação de policiais militares nos crimes não é descartada. Entre domingo e segunda-feira, dois PMs foram assassinados na cidade. As mortes poderiam ser uma espécie de represália, segundo investigadores. Familiares das vítimas, porém, não acreditam nessa hipótese.

O Setor de Homicídios da Delegacia Seccional de Guarulhos também apura a possível ligação dos assassinatos com o tráfico de drogas na região. No ano passado, o ponto onde os adolescentes morreram foi alvo de operações da PM. Em novembro, um homem chegou a morrer após trocar tiros com a polícia.

Cápsulas do mesmo calibre 38 foram encontradas nas duas cenas dos crimes. A perícia vai analisar, nos próximos dias, se os disparos foram dados pela mesma arma. O policiamento foi reforçado ontem à tarde próximo aos locais dos dois homicídios. Nenhum suspeito havia sido localizado até o início da noite.

Às 21h de anteontem, três homens pararam o carro na Avenida José Miguel Ackel, Parque Industrial, e atiraram na direção de pessoas que estavam no bar. Responsáveis pelo estabelecimento, os irmãos Silas, de 26 anos, e Vitor Albuquerque dos Santos, de 27, morreram na hora. Eles moravam com a mãe e outro irmão no andar de cima do bar.

O motorista Tamer Santos da Silva, de 26 anos, foi atingido enquanto tentava fugir pela rua. Um adolescente de 17 anos conseguiu fugir do bar, mesmo após ser atingido no braço, e se escondeu dentro de um ônibus.

A testemunha contou à polícia que um dos atiradores não usava máscara. Investigadores que trabalham no caso não descartam que algumas vítimas podem ter sido mortas apenas porque reconheceram o criminoso que não cobriu o rosto - e não eram necessariamente alvo do ataque.

Silas tomava conta do bar havia sete meses, desde que seu pai morreu em um acidente de carro. Ele chegou a responder a um processo por homicídio, mas foi inocentado por falta de provas. Vitor trabalhava havia 10 anos em uma fábrica de bolachas. "Todo mundo aqui conhecia eles. O bar vivia cheio porque tem um ponto final de ônibus na esquina. Não tinha nada errado", diz Ivonaldo Barbosa do Nascimento, de 53 anos, tio das vítimas.

Cerca de 15 minutos depois, atiradores mataram Daniel Alencar Porto, de 17 anos, e Renan de Oliveira Trindade, de 16, em uma viela de terra na Rua Baianópolis, na entrada de uma comunidade conhecida como Jardim Ansalca. Os peritos que analisaram a cena notaram que todos os tiros foram dados nas cabeças das vítimas. O crime não teve testemunhas, segundo a PM.

"Sabemos que é uma área onde o tráfico de drogas atua. Mas nada deve ser descartado até que a investigação termine", diz o coronel Glauco Silva de Carvalho, comandante da PM na cidade.

Roubo. A sexta morte da noite aconteceu na Rua Doutor Laerte Romualdo de Souza, Jardim Continental 2. Mateus Teixeira Pedrosa, de 18 anos, foi morto ao tentar roubar o carro de um policial militar, que reagiu.

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