Em 15 dias, ônibus de empresa é assaltado 4 vezes na Dutra

Roubos aconteceram sempre no mesmo trecho da rodovia; polícia acredita que seja ação de uma quadrilha

Simone Menocchi, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2008 | 19h17

Quatro assaltos a ônibus intermunicipal da empresa Pássaro Marrom foram registrados nos últimos quinze dias, no mesmo trecho da via Dutra, entre São Paulo e Guarulhos. A polícia não tem dúvida de que se trata da mesma quadrilha que está aterrorizando os passageiros e já transformou em tragédia um dos assaltos. No primeiro roubo, no dia 19 de maio, o estudante universitário João Alexandre de Almeida Guilherme, de 23 anos,foi assassinado dentro de um ônibus que seguia de São Paulo para Taubaté. Ele estava dormindo e ao ser acordado pelos ladrões com uma arma na cabeça, se assustou e acabou levando um tiro no peito. O crime aconteceu às 20h30 entre os municípios de Guarulhos e Arujá, na via Dutra. O estudante se encontraria com a família, que mora em Taubaté. Testemunhas contaram que naquela noite dois jovens pararam o ônibus e entraram no veículo, anunciando o assalto em seguida. Depois de matar João Alexandre, roubaram dinheiro, celulares e ainda fizeram novas ameaças, atirando contra outro passageiro, que só não morreu porque a arma do bandido falhou. Um carro atrás dava cobertura para a dupla e auxiliou na fuga.  Deste dia em diante a empresa Pássaro Marrom determinou que os ônibus não parassem mais na estrada, principalmente no trecho da Grande São Paulo. Os bandidos perceberam e passaram a embarcar no terminal Tietê, onde é necessário apresentar o nome e número do documento de identidade antes de entrar no ônibus. Mesmo assim, três outros assaltos aconteceram no mesmo trecho desde 19 de maio. O último foi na noite de terça-feira, 3. Quarenta e três passageiros que estavam em um ônibus sentido São José dos Campos foram ameaçados e tiveram carteiras, dinheiro, jóias e celulares roubados. O ladrão agiu sozinho e ao descer do ônibus, no quilômetro 214 da via Dutra, fugiu em um carro que seguia o coletivo desde a saída de São Paulo.  De acordo com a empresa Pássaro Marrom, desde a morte do estudante, reuniões estão sendo feitas com a Polícia Civil de São Paulo e com a Polícia Rodoviária Federal, que controla o policiamento na Dutra, para implantar novas medidas de segurança. "Por questões estratégicas, não podemos divulgar. Mas também estamos muito preocupados. A empresa também é vitima, assim como os passageiros e quer resolver essa situação", disse o superintendente, Fernando César. Segundo ele, oito mil passageiros embarcam diariamente pelos ônibus da Pássaro Marrom, do terminal Tietê em São Paulo, em 300 horários. "No ano passado nenhum assalto foi registrado".

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