Em 1º mês de multa da água, 19% dos clientes aumentam consumo

Do total, 7% não terão a sobretaxa por não ultrapassar o gasto mensal de 10 m³; Sabesp diz que 71% ganharam bônus

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

09 Março 2015 | 19h57

SÃO PAULO - Mesmo com a aplicação de multa, 19% dos consumidores aumentaram o consumo de água no mês de fevereiro, segundo balanço divulgado nesta segunda-feira, 9, pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

A sobretaxa, que entrou em vigor em janeiro e passou a valer nas contas de fevereiro deste ano, leva em consideração o consumo mensal que ultrapassa a média do período entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014. O valor é de 40% sobre o total da tarifa para aumentos de consumo de até 20% da média. O acréscimo sobe para 100% se o consumo for superior a 20%.

Segundo a Sabesp, dos clientes que ultrapassaram a meta de consumo de água, 7% gastaram menos de 10 metros cúbicos e não "foram enquadrados na sobretaxa".

No programa de bônus, que completou um ano também no mês passado, a companhia diz que houve adesão de 81% dos clientes, dos quais 71% ganharam o bônus. A faixa de bônus de 30%, oferecida para redução de consumo maior que 20%, foi atingida por 60% dos consumidores.

"(Do total de beneficiados), 5% diminuíram o uso entre 15% e 20%, faixa de bônus de 20%, e outros 6% tiveram um gasto de água entre 10% e 15% menor e ganharam bônus de 10%", informa o levantamento da Sabesp.

Preocupação. Coordenadora da Rede das Águas da ONG SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro disse que os dados de aumento de consumo de água são preocupantes. "Este número está grande. As pessoas, infelizmente, têm achado que, porque está chovendo, a situação voltou ao normal. É uma falsa sensação de conforto durante a crise, porque não está tendo o racionamento."

Malu diz ainda que o número pode ter relação com o fim do período de festas e de férias. "Tem de ver se as pessoas realmente aumentaram o consumo ou se estavam de férias e voltaram para suas casas. Pode ser uma tendência de ter relaxado (por causa das chuvas), pode ser um problema técnico de medição, como o ar no hidrômetro, ou a economia mascarada por causa das férias. Foi um período atípico."

A coordenadora afirma que é preciso manter os hábitos de economia. "Essa mudança de comportamento que a gente passou a adotar não poderá ser descartada, tem de ser permanente. Não tem como fazer uma previsão de quando teremos a normalização das chuvas." 

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