Eloá, 'uma menina falante'; Lindemberg, 'um trabalhador'

Eloá e a amiga Nayara saíram feridas ao final do seqüestro a que ela foi submetida pelo ex-namorado

Da Redação, com Vitor Hugo Brandalise e Marcela Spinosa,

17 de outubro de 2008 | 21h28

Considerada a menina mais bonita da escola e de 'cabelos negros e compridos', a jovem Eloá Cristina Pimentel e uma de suas melhores amigas, Nayara Rodrigues Vieira, ambas de 15 anos, saíram feridas ao final do seqüestro de mais de quatro dias a que foi submetida pelo ex-namorado Lindemberg Alves. Nayara chegou a ser libertada após 33 horas, mas voltou ao apartamento por exigência do criminoso. Dois colegas de classe delas estavam no apartamento no início do seqüestro, mas foram libertados algumas horas depois. As amigas tinham páginas no site de relacionamentos Orkut, que foram bloqueadas, com exceção da foto ao lado.   Veja também:Saiba como foi o fim do seqüestro Confira cronologia do seqüestro  Galeria de fotos do seqüestro  Todas as notícias sobre o caso 'O que deu errado foi o tiro que ele deu na menina', diz coronel Armas de policiais e seqüestrador são apreendidas para períciaSeqüestro em Santo André é o mais longo registrado em SPPai de Nayara diz que foi ‘expulso’ pela PM de escola  Eloá, uma menina falante Cabelos negros e compridos, olhos escuros puxados e um sorriso largo. Eloá Cristina Pimentel era considerada a menina mais bonita da Escola Estadual José Carlos Antunes, onde cursava a 1ª série do ensino médio em Santo André, a mesma dos outros três colegas que, junto com ela, foram mantidos reféns pelo ex-namorado da adolescente, todos de 15 anos: Nayara Rodrigues Vieira, seu namorado Iago Vilera e Vitor Lopes.  A timidez dos 15 anos não combinava com Eloá, uma menina falante e que adorava música eletrônica. Filha de um segurança e de uma merendeira, nasceu em Maceió, Alagoas. A família vive em Santo André há 13 anos. O casal tem outros dois filhos. Foi nos arredores do conjunto habitacional da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) onde vivia com sua família que conheceu Lindemberg Fernandes Alves, também morador do conjunto. Segundo amigos, após Alves terminar o namoro pela última vez - em 2 anos e 7 meses de relacionamento, terminou "mais de dez vezes" -, no início de agosto, Eloá decidiu que era definitivo. Passou a sair mais com o grupo de amigos da escola e a ignorar as chamadas do ex-namorado. "Isso foi o que mais doeu nele. Ela chorava na aula e dizia que não sabia o que ele podia fazer", diz uma colega. Ao longo do último mês e meio, o ex-namorado ligou todos os dias para ela. Dizia que precisavam conversar. Insistia. Chegou a ligar 15 vezes numa só tarde. "Ele gosta tanto dela que se desequilibrou", disse V., uma das melhores amigas de Eloá. Nas últimas duas semanas, percebendo que o namoro não seria reatado, a implicância de Alves com os amigos de Eloá aumentou. Passou a fazer ameaças a dois garotos - um deles, o que enviou mensagem no celular de Eloá na tarde de segunda-feira, possivelmente o motivo de uma das agressões de Alves contra a ex-namorada. "Quando ele soube que a turma da escola iria para o (parque de diversões) Hopi Hari, ele ficou muito bravo", relata T.S., amigo de Lindemberg Alves. Lindemberg Alves, um cara 'normal' Lindemberg Alves, 22 anos, 1,75 metro e cerca de 70 quilos, tinha o apelido de "Liso", no conjunto da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), onde morava com a família, no Bloco 80 do mesmo conjunto da família de Eloá, que vive no 24. Descrito por vizinhos como ‘normal’ e ‘trabalhador’. Caçula de quatro filhos - todos de pais diferentes -, Alves nasceu em Patos, na Paraíba e veio para São Paulo aos 2 anos. Completou o ensino fundamental e estudou até a 3.ª série do médio na Escola Estadual José Carlos Antunes - a mesma de Eloá -, até abandonar o estudo para trabalhar em tempo integral. Auxiliar de produção, funcionário da empresa Cargas e Descargas Alphaville, prestadora de serviços para a Bombril em São Bernardo, Alves saía de casa por volta das 6 horas para voltar perto das 16. Nos fins de semana, complementava o salário - cerca de R$ 600, segundo amigos - trabalhando como entregador numa pizzaria das redondezas.  Às quintas-feiras à noite, Alves participava do programa típico dos jovens moradores do conjunto - ao som de funk, manobrava sua motocicleta pela Rua dos Dominicanos, na frente dos prédios, até por volta das 23 horas, enquanto a feira livre montada no local ficava em pé. Também freqüentava as festas no "shoppinho", uma galeria comercial que concede, nos fins de semana, salas vazias para bailes funk.

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