Elo entre black blocs e PCC é 'inadmissível', diz ministro

Em reação a reportagem do 'Estado', Cardozoafirma que o governonão vai tolerar abusosdurante manifestações

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2014 | 02h01

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou ontem que é "inadmissível" a associação de esforços entre os black blocs com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) para transformar a Copa do Mundo "em um caos". A união com o objetivo de prejudicar o andamento do evento foi citada pelos próprios manifestantes em reportagem publicada ontem pelo Estado.

Um dos black blocs entrevistados disse que "tem certeza de que o crime organizado, o PCC, vai causar o caos na Copa". "E a gente vai puxar para o outro lado", completou o ativista.

"É inadmissível a união pelo crime", desabafou Cardozo, em entrevista ao Estado. "É inadmissível que pessoas queiram se associar ao crime para fazer reivindicações", declarou. E avisou: "Não toleraremos abuso de qualquer natureza, e as pessoas que praticarem ilícitos responderão nos termos da lei penal".

Cardozo assegurou que o governo está monitorando todos os setores considerados estratégicos, que poderão criar algum tipo de problema, e salientou que "existe uma cooperação entre os serviços de inteligência dos governos federal e estadual para acompanhar as mais diversas situações".

Apesar de os jovens que deram entrevista ao Estado dizerem que não são monitorados pela polícia, o ministro informou, sem dar detalhes, que o governo vigia diversos segmentos. Salientou ainda que todos os setores das instâncias governamentais estão integrados e "preparados para todas as situações" e que todas as medidas de segurança foram tomadas.

"Estamos muito seguros de que teremos bom padrão de segurança na Copa e estamos preparados para enfrentar situações dessa natureza", afirmou Cardozo.

'Equívoco'. O ministro da Justiça criticou ainda a motivação dos jovens para fazer as manifestações - eles alegam que esta era uma forma de exigir que o Estado prestasse os serviços direito para a população. "Se alguém acha que vai melhorar o mundo com esse tipo de método, incorre em um equívoco reprovável por toda a sociedade brasileira", afirmou Cardozo, acentuando que "a lei existe e será cumprida".

Após afirmar que a Copa das Confederações, no ano passado, serviu de "excelente preparação para Copa do Mundo", o ministro citou que há um bom número de pessoas envolvidas preparadas e a postos para evitar danos às pessoas e ao patrimônio.

Ele lembrou que as manifestações são permitidas e fazem parte da democracia, mas que o governo não vai tolerar excessos. "O que temos de fazer sempre é evitar é o abuso, o abuso de qualquer natureza. Por isso, temos dialogado muito com as polícias dos Estados e isso me leva a crer que teremos uma intervenção pronta e eficiente das autoridades policiais."/ TÂNIA MONTEIRO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.