Elize: traição só foi confirmada após a morte

O detetive William Coelho afirmou ontem no Fórum Mário Magalhães, em São Paulo, que a bacharel em Direito Elize Araújo Kitano Matsunaga, de 30 anos, teve acesso aos detalhes sobre a traição de Marcos Matsunaga com uma garota de programa apenas três dias depois de tê-lo assassinado. Ele foi uma das cinco testemunhas de acusação ouvidas nesta quarta-feira.

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

11 Outubro 2012 | 03h03

Para o promotor José Carlos Cosenzo, o detalhe é importante porque Elize afirmou que agiu movida pela emoção, ao saber da traição. "Foi bom porque as testemunhas deixaram claro que foi um crime motivado pelo ódio, premeditado. Não há de se falar em crime passional."

Elize confessou ter matado e esquartejado o marido entre 19 e 20 de maio deste ano. Depois, jogou as partes de seu corpo em Cotia, na Grande São Paulo.

Além do detetive, foram ouvidos pelo juiz Adilson Paukoski Simoni o delegado responsável pela investigação, Mauro Dias, um vizinho do casal no apartamento da Vila Leopoldina, Horácio Rubens Abramo, a babá Munir Santos Silva e o irmão do executivo, Mauro Kitano Matsunaga - único depoimento que Elize não acompanhou. A audiência durou seis horas.

O advogado de Elize, Luciano Santoro, considerou excelentes os depoimentos de ontem, mas discordou da interpretação da acusação. Segundo ele, Elize conversava com o detetive por telefone e já sabia que estava sendo traída. "Não há indício nenhum no processo que leve a crer que ela premeditou o crime", disse o advogado Luciano de Freitas Santoro. "Se fosse um crime planejado, seria diferente. Não seria dentro da casa deles."

Uma nova audiência foi marcada para 12 de novembro, quando devem ser ouvidas outras cinco testemunhas, além dos peritos. Depois disso, será a vez de Elize falar. Só então o juiz decidirá se ela vai a júri popular. / COLABOROU TIAGO DANTAS

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