Elize Matsunaga matou por dinheiro, diz promotor

Ministério Público vai pedir 35 anos de prisão para mulher de executivo da Yoki morto e esquartejado no mês passado na Vila Leopoldina

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h04

O promotor da 5.ª Vara do Júri José Carlos Cosenzo afirmou ontem que houve motivação financeira por parte de Elize Araújo Kitano Matsunaga, de 30 anos, quando matou e esquartejou o marido, o diretor executivo da Yoki Marcos Kitano Matsunaga, de 42. O assassinato foi no dia 19 de maio no tríplex onde o casal vivia, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo. Ele apresentou denúncia e pediu a prisão preventiva da ré, que foi concedida ontem mesmo pela Justiça.

Segundo o promotor, havia claro "interesse patrimonial" na morte de Matsunaga, porque Elize era beneficiária de um seguro de R$ 600 mil e a filha era herdeira. "Teria independência, ficaria com a guarda da filha e em uma situação financeira invejável."

Cosenzo disse que Elize temia o fim do casamento, que já estava arruinado. "Estava assistindo a um filme do qual ela já foi protagonista. Viu que alguém estava pegando o lugar dela", afirmou. "Ela não queria perder o status financeiro", completou.

O executivo era casado quando conheceu Elize, em 2004, como prostituta. Antes do crime, a ré descobriu que Matsunaga a traía com uma acompanhante do mesmo site onde anunciava seus serviços no passado.

O promotor acredita que ela tenha agido sozinha e vê no fato de Elize ter contratado um detetive por cerca de R$ 7 mil e viajado para o Paraná indício de premeditação - queria provas de que o marido havia "desaparecido" de casa porque tinha outra.

Para o promotor, a prisão preventiva é necessária para a garantia da ordem pública (evitar impunidade), conveniência da instrução criminal (preservação de testemunhas e provas) e aplicação da lei penal (pode fugir).

Pena. O promotor denunciou Elize por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima) e ocultação de cadáver (depois de esquartejar o executivo, jogou partes do corpo em Cotia). Há também uma agravante genérica, pelo fato de a vítima ser o marido. Cosenzo disse que, se condenada, a ré pode pegar até 35 anos de prisão. "Não há nenhuma excludente, como legítima defesa ou estado de necessidade", disse. "Confessou porque não tinha como escapar."

Cosenzo disse que a denúncia não perde força por ele ter amante. "Socialmente, pode ser contestável, mas não é juridicamente aceitável. Se for matar todo mundo que tiver amante, haja cemitério", disse. Para ele, foi um crime hediondo e frio. "Ela fez um monte de bobagens típicas de um bandido sem escrúpulos, mas sem qualificação."

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