Eletricista confessa participação em linchamento no Guarujá

Valmir Dias Barbosa, de 48 anos, foi preso na noite de terça após ser reconhecido em vídeos que circularam na internet; 'tenho três filhos e achei que o boato era verdadeiro', afirmou

Zuleide de Barros, O Estado de S. Paulo

07 Maio 2014 | 14h15

GUARUJÁ - O eletricista Valmir Dias Barbosa, de 48 anos, confessou à polícia ter participado do linchamento da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, morta em consequência de um traumatismo craniano, ao ser violentamente espancada na noite de sábado na comunidade de Morrinhos 1, onde morava. Ela foi confundida com uma suposta sequestradora, que estaria capturando crianças para rituais de magia negra. Barbosa foi reconhecido nos vídeos feitos por um cinegrafista amador, sendo preso em sua própria casa, na noite desta terça-feira, 6, também em Morrinhos, após uma denúncia anônima.

"Tenho três filhos e achei que o boato era verdadeiro", disse, lembrando ainda durante a rápida entrevista concedida à imprensa, que não só ele, mas umas cem pessoas participaram da ação de linchamento. "Assim como me acharam na internet, também devem localizar os outros também", completou. Valmir teve sua prisão temporária, de 30 dias, decretada na tarde de terça-feira pela 1.a Vara Criminal de Guarujá e está detido no 1.o Distrito Policial de Vicente de Carvalho, onde o inquérito foi instaurado.

De acordo com o delegado Luís Ricardo Lara Dias Júnior, que está à frente das investigações, outras cinco pessoas, da mesma comunidade, já foram identificadas nos vídeos e começam a ser procuradas pelos policiais. Esta quarta-feira, 6, foi de intensa movimentação no 1.o DP, onde o delegado Lara já ouviu mais de uma dezena de testemunhas do crime que chocou a população da Baixada Santista.

Os responsáveis pela página da internet que divulgou o retrato falado da suposta sequestradora prestaram depoimento e foram liberados. Lara considera prematuro qualquer julgamento sobre a culpabilidade dos administradores da página hospedada no Facebook. "Até porque, eles colocaram à disposição da polícia todas as postagens feitas na página 'Guarujá Alerta', que agora começam a ser analisadas", disse.

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