'Eles não honraram o juramento que fizeram', declara PM

Segundo corporação, os rádios digitais são seguros e melhoraram a comunicação. O problema está nos maus policiais

O Estado de S.Paulo

22 Abril 2012 | 03h07

A Polícia Militar afirmou que fiscaliza, pune, controla e supervisiona os policiais. "É ponto de honra aplicar o que determina a legislação contra aqueles que denigrem a imagem da instituição. Eles não honraram o juramento que fizeram", afirma o major Marcel Soffner, porta-voz da corporação, que fala em punição exemplar.

Segundo Soffner, os rádios digitais promoveram melhoria na comunicação e são seguros. O problema estaria no comportamento dos maus policiais. "Tudo está dentro do comportamento. O contrário também é verdadeiro. Quantos policiais, durante a noite, trabalham com o encontro de valores e devolvem para as vítimas?"

Soffner recrimina a atuação de policiais que compactuam com o crime, que seriam duplamente criminosos. "Por ajudar o bandido e ser um policial que não honra a farda que veste, ele coloca em risco a integridade dos colegas e da população."

O coordenador do Observatório de Segurança Pública da Unesp, Luís Antonio Francisco de Souza, diz que corrupção policial sempre existiu, mas, quanto mais poderoso o crime organizado, mais articulado ele fica. Por isso, a tendência é de que mais policiais sejam aliciados.

Souza critica a forma como a corporação pune seus integrantes. "Há um exagero da PM em punir policiais por questões de indisciplina militar, mas certa leniência com os crimes cometidos em ações policiais, sobretudo contra civis." Ele diz que a PM precisa estar um passo à frente dos policiais corruptos. "Tem de prever as falhas e corrigi-las antes que outros percebam."

Nos EUA. O especialista explica que nos Estados Unidos foi criado um sistema chamado Policing Police Integrity (Policiando a Integridade Policial, em tradução livre). "Às vezes não é necessário punir judicialmente um policial porque, quando isso ocorre, o problema já está instalado. O trabalho é preventivo. Punição nem sempre resolve."

Segundo Souza, o governo estadual e a PM têm tentado nos últimos anos melhorar a imagem da polícia e conquistar a confiança da sociedade, mas é preciso mandar "uma mensagem forte" à população. "Uma polícia que enfrenta o crime dentro de suas próprias fileiras é o caminho para políticas de segurança que podem ter algum sucesso. Não se enfrenta crime cometendo crimes. Os criminosos devem ser enfrentados em todas as esferas. Política e polícia devem dar os exemplos." / W.C.

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