''Eles mataram meu filho'', diz salva-vidas

ENTREVISTA - Túlio Anselmo, marido de Cléa Borges, que abortou no quartel

Alessandra Saraiva, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2011 | 00h00

O que aconteceu na madrugada de sábado?

Disseram que foi invasão, mas eu não posso invadir o que é meu. O quartel dos bombeiros pertence a quem? Não é ao bombeiro?

Como começou a confusão?

Com a investida do Bope, houve disparos, tanto de balas de borracha quanto armas de fogo. Consegui puxar um companheiro para longe e tirei todas as mulheres da linha de fogo. No tumulto, minha esposa foi imprensada. Quando cheguei próximo da área aberta do quartel, do pátio, perto da cozinha, encontrei minha esposa, e ela urrava de dor. Desesperada, foi para dentro do banheiro e ficou lá muito tempo. Nesses 40 minutos, ela teve o aborto. Meu filho está enterrado dentro do vaso sanitário do quartel central por culpa do Bope. Eu perdi meu filho (chorando). Eles disseram que não mataram ninguém. É mentira. Eles mataram meu filho.

Era preciso levar a família?

Se não estivéssemos com nossas famílias, hoje nós estaríamos mortos e metade do Bope estaria também. Eles iam usar bala de verdade e nós íamos revidar.

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