Caio do Valle/AE
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Eleição no sindicato dos motoristas é adiada e será monitorada pela polícia

Após tiroteio e confusão na sede da entidade, na Liberdade, dois promotores do Júri são designados para acompanhar as investigações

Caio do Valle e Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2013 | 23h38

SÃO PAULO - Após tiroteio na frente da sede do sindicato dos motoristas de ônibus de São Paulo (Sindmotoristas) que deixou dez feridos, na noite de quarta-feira,10, a direção da entidade decidiu adiar para o dia 25 a eleição do novo presidente. O pleito será monitorado pela Polícia Militar e pelo Ministério Público Estadual (MPE). A disputa eleitoral na categoria deveria ter terminado nesta sexta-feira, 12.

De acordo com a polícia e testemunhas, mais de 30 disparos foram efetuados durante a confusão na frente do sindicato, na Rua Pirapitingui, na Liberdade, região central de SP. O tiroteio aconteceu por volta das 21 horas de quarta-feira. Um dos feridos continuava internado na quinta-feira, em coma, no Hospital Santa Helena.

O procurador-geral de Justiça do Estado, Márcio Fernando Elias Rosa, designou dois promotores do Tribunal do Júri para acompanhar as investigações sobre o tiroteio.

A confusão começou quando as urnas que seriam distribuídas nas garagens das empresas de ônibus ainda estavam na entidade. Segundo a polícia, o foco dos disparos efetuados de fora do prédio foi do 4.º ao 8.º andar da sede do sindicato - a presidência fica no 5.º.

A polícia ainda apura a sequência correta dos fatos que antecederam o tiroteio. Os policiais buscaram na quinta-feira, 11, o vídeo de câmeras de vigilância do sindicato, que registraram imagens do quebra-quebra antes de serem destruídas no tumulto. A fachada do sindicato teve os vidros atingidos por pedras, pedaços de pau e lixo.

Dentro do prédio, no momento da confusão, estavam representantes da atual diretoria, entre eles o presidente da entidade, Isao Hosogi, o Jorginho. Eles organizavam a distribuição das urnas para as garagens de ônibus da cidade.

A oposição chegou ao sindicato em um grupo de pelo menos 200 pessoas e acusou a atual gestão de não permitir o acompanhamento da segurança e do transporte das urnas. Foi aí que o tumulto começou - sob acusações, segundo testemunhas, de que as urnas estavam trocadas e não eram as definidas pela comissão eleitoral do sindicato. O candidato a presidente pela oposição é o atual diretor financeiro do sindicato, José Valdevan de Jesus Santos, o Noventa.

Acusações. A atual direção do Sindmotoristas negou a troca de urnas e informou que os opositores não quiseram escolher seus representantes para fiscalizar as mesas de votação. Os opositores foram os mesmos sindicalistas que conseguiram paralisar 16 dos 31 terminais de ônibus paulistanos, durante 5 horas, na manhã do mesmo dia do tiroteio.

Noventa acusa a gestão de Jorginho de empregar policiais para sua segurança. "A máquina do sindicato está sendo usada de forma indevida. Há policiais armados lá dentro, sendo pagos com o dinheiro dos associados", afirmou.

Jorginho, que preside a entidade desde 2004, negou a acusação. "Estávamos com seguranças particulares. Ao responsável pela empresa, pedi para ninguém vir armado. Ninguém estava armado."

Segurança. Testemunhas do confronto disseram à reportagem que a PM demorou a agir. "Havia dois policiais na esquina o tempo todo, mas o reforço só chegou uns 20 minutos depois, e a Força Tática, depois de uma hora", afirmou um homem que acompanhou o quebra-quebra. Em nota, a PM informou que "por causa da proporção do acontecimento, foi preciso solicitar reforço da Força Tática, com revisão de plano de ação".

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