Fábio Motta/AE
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Eleição no Jockey do Rio vira caso de polícia

Os dois candidatos à presidência trocam acusações, enquanto entidade é investigada

HELOISA ARUTH STURM/ RIO, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2012 | 03h03

A entrada em cena da Polícia Federal e da Receita Federal para investigar crimes de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e formação de caixa 2 é o mais recente episódio em uma das disputas eleitorais mais acirradas do Rio de Janeiro. O cenário onde se desenvolve toda a trama é o Jockey Club Brasileiro, tradicional reduto da elite carioca e palco glamouroso por onde transitam famílias de renome.

Na última quarta-feira, agentes federais realizaram a Operação Grande Prêmio, cumprindo mandados de busca e apreensão nas sedes do clube e da empresa Codere do Brasil Entretenimento, que registra apostas em corridas de cavalo. A polícia investiga se há apostas e pagamentos de prêmios não contabilizados, com suspeita de remessa ilegal de dinheiro ao exterior.

O atual presidente do clube, Luís Eduardo Carvalho, atribui as acusações à intriga da oposição. "Estão tentando criar situações de embaraço, mas nós espontaneamente entregamos toda a documentação para demonstrar a lisura dos negócios feitos entre o Jockey e a Codere, pois não há nada de errado", defende-se.

Carlos Palermo, presidente da Sociedade Hípica Brasileira e candidato concorrente de Carvalho à presidência do Jockey, rebate: "Só pode ser brincadeira dele achar que um grupo ou um sócio, por causa de uma eleição do Jockey, tem poder para mandar na Polícia Federal".

Às vésperas das eleições, que ocorrem a cada quatro anos e estão previstas para o dia 31 de maio, os ânimos acirrados envolveriam ainda a depredação ao patrimônio privado. Na opulenta sede social do clube, na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul da cidade, ofensas ao atual presidente foram pichadas em um dos banheiros.

Porsche riscado. Os insultos também foram deixados em algumas poltronas, entre o estofamento rasgado. Sobrou até para o Porsche Boxter vermelho de Carvalho, que, segundo ele, foi riscado no próprio estacionamento do clube.

"A vaidade humana leva as pessoas a assumirem atitudes e comportamentos muitas vezes inacreditáveis", disse Carvalho. Para ele, as investidas devem ser de simpatizantes de seu adversário político.

Palermo afirma que nunca viu nada disso e o carro teria sido riscado há muito mais tempo, quando não se falava ainda em eleição. "Para mim, a imaginação dele está muito fértil", disse.

Adversários da atual gestão acusam Carvalho de mau gerenciamento das atividades envolvendo o turfe. "Há poucos incentivos e não há divulgação do esporte para atrair um público novo", afirmou Palermo. O atual presidente rebate as acusações, afirmando que as corridas de cavalo foram o setor que nos últimos quatro anos recebeu o maior volume de investimentos. "Nós investimos mais de R$ 4 milhões no turfe e aumentamos os prêmios, o que não era feito desde 2006."

Segundo Carvalho, a atividade é deficitária para o clube, tendo causado prejuízos durante 16 anos consecutivos. "Isso não é um problema da atual gestão, é crônico", afirmou.

O Jockey é um dos clubes mais caros do Rio. Para entrar, é preciso comprar o título de algum sócio por algo em torno de R$ 15 mil e pagar uma taxa de transferência de R$ 60 mil. O atual embate eleitoral tem causado mal-estar entre alguns dos mais de 5.700 sócios da instituição fundada em 1932.

Futebol. "Lamento muito esse embate, acho que os espíritos ficam muito esquentados e fica até difícil frequentar o clube assim", disse a colunista social Hildegard Angel. Ela compara a rivalidade na disputa eleitoral às torcidas organizadas de futebol. "Não combina com o refinamento tradicional das pessoas, do turfe brasileiro, de grandes famílias."

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