Eleição direta não amplia democracia, dizem especialistas

Ampliar os canais de comunicação com a comunidade universitária é importante. Mas é equivocado acreditar que a eleição direta para reitor aumenta a democracia na universidade.

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2013 | 02h07

"A universidade não pode ser vista como uma instituição que exerce poder sobre a comunidade. Não dispõe do monopólio da força, nem das normas jurídicas, nem da taxação dos excedentes econômicos. Por isso, a democracia na universidade não depende necessariamente da forma como o reitor é escolhido", pondera o filósofo Roberto Romano. "Para ser democrática, a universidade precisa ser administrada por meio de diálogo. A gestão deve ser democrática. A maioria dos reitores eleitos diretamente se torna representante dos poderes oligarcas", afirma.

O ex-reitor da USP José Goldemberg também defende a importância do protagonismo dos professores na escolha do reitor. Segundo ele, são eles os responsáveis pelas atividades fins e, por isso, são comprometidos com os rumos da universidade.

"Apesar da importância de ouvir alunos e funcionários, os primeiros estão na universidade de passagem. Ficam por pouco tempo e seguem seu caminho. Os segundos são atividade meio", diz. "A escolha do piloto do avião não é feita pelos passageiros. Há necessidade de conhecimento e vivência."

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