Ele vai percorrer 42 km sobre uma roda

Morador da Vila Madalena encara hoje, na Alemanha, uma maratona em cima de um monociclo - aquela bike de circo

, O Estado de S.Paulo

29 Abril 2012 | 03h04

Não é fácil correr os 42.195 metros de uma maratona. Para o artista circense Cafi Otta, de 33 anos, o desafio será ainda maior: hoje, ele será o único brasileiro a encarar o percurso da tradicional maratona de Dusseldorf, na Alemanha, a bordo de um monociclo - aquela bike de uma roda só, usada em apresentações circenses.

Mineiro de Barbacena e morador desde os 13 anos da Vila Madalena, na zona oeste, Otta é adepto do monociclo há 23 anos. "Apaixonei-me por isso ainda criança, quando minha mãe me matriculou em um curso de circo", conta.

Seu objetivo principal nem é ficar à frente dos outros 86 competidores do mundo todo.

"Minha meta é terminar o percurso em 3 horas", diz, lembrando que o recorde mundial da categoria é de 1h24. "Durante o percurso, até posso descer do monociclo, mas nunca me locomover a pé por mais de 25 metros."

Apesar de competições de monociclos serem raras no Brasil, Otta é dono de um campeonato no mínimo curioso. "Sou o monociclista mais lento do País." Isso porque, em 2006, ele venceu uma prova em que ganhava quem conseguisse demorar mais tempo para percorrer dez metros. "Pois é muito difícil se equilibrar praticamente parado no monociclo. Foi uma competição meio mambembe."

Currículo. Formado em Turismo, Otta trabalha como artista circense profissional desde os 17 anos. Começou animando festas infantis, depois participou de várias companhias circenses e teatrais. "Também fui barman, ajudante de corretor de seguros, auxiliar de garçom..." Hoje integra uma trupe de palhaços chamada Namakaca.

O monociclismo é um hobby que ele leva a sério. O equipamento comprado na Alemanha custou cerca de R$ 1,2 mil, somando as taxas. Foi comprado de uma loja virtual da Costa Rica, mas é fabricado na China por uma empresa inglesa, com peças americanas. Globalização de uma roda só. Em São Paulo, ele costuma treinar nos Parques do Ibirapuera e Villa-Lobos. "Na rua não dá", explica. "Nossas ruas são muito irregulares e esburacadas."

A aventura alemã foi bancada com recursos próprios. "Usei milhas acumuladas para a parte aérea e estou pagando do bolso hospedagem e alimentação para mim e minha equipe", diz ele. "Equipe de um homem só, já que sou eu que faço a produção, o treinamento, cuido da nutrição e sou o atleta da prova."

Seja qual for o resultado, a prática não deve parar por aí. Ele já conseguiu autorização da organização da Maratona de São Paulo, marcada para o dia 17 de junho, para fazer o percurso a bordo de seu peculiar veículo./ E. V.

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