Ele recuperou 11 imóveis. E não pensa em parar

O professor Carlos Lessa tornou-se 'patrono' dos restauradores de velhos casarões cariocas

O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2012 | 03h02

No início dos anos 1990, o diretor do Conselho Regional de Economia, professor Carlos Lessa, comprou para a instituição um conjunto de três casas de meados do século19, com o sonho de reformá-las e fundar a Casa do Economista do Brasil. Antes que seus sucessores conseguissem juntar o dinheiro para as obras, a oposição venceu a eleição para o conselho e deixou a ideia de lado. As casas foram vendidas para uma igreja evangélica. Depois de um incêndio que deixou apenas a fachada de pé, a igreja decidiu vender o terreno na esquina das Ruas Bento Lisboa e Pedro Américo, no Catete (zona sul).

Em 2009, Lessa, pessoa física, retomou o projeto do passado: comprou a "muralha" que restou. Em três anos de obras, restaurou a fachada e, no interior, construiu o Casarão Ameno Resedá, que reúne centro cultural, espaço para shows e restaurante, inaugurado há dois meses.

"É um corredor polonês, você entra na história e tem de ir até o fim, mas vai levar paulada de todos os lados", diz Lessa sobre a burocracia para chegar ao resultado final. "Para tirar uma fiação de alta tensão que ficava a 40 centímetros da muralha, passei um ano brigando na Justiça", conta o ex-presidente do BNDES e ex-reitor da UFRJ.

Não foi a primeira batalha deste carioca de 75 anos em prol dos imóveis tombados do Rio. Lessa é uma espécie de patrono dos restauradores de velhos casarões da cidade. O Ameno Resedá, homenagem a um rancho de carnaval do início do século passado, é o décimo primeiro imóvel que ele recupera na cidade. Ao seu lado, como em outras empreitadas do mesmo tipo, o professor teve a designer de interiores Sônia Motta, que trabalha em sociedade com a sobrinha, a arquiteta Marisa Motta.

E a cruzada de Lessa está longe do fim. O economista comprou os dois terrenos na frente do Ameno Resedá, começou a recuperar as fachadas e vai transformar a área interna em estacionamento. / LUCIANA NUNES LEAL

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