Ele queria ver Ets; encontrou sacis

Morador de Campinas, Guimarães jura que a lenda existe, mora em viveiros e aparece quando contamos suas histórias

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2010 | 00h00

Ele descobriu sacis quando foi procurar extraterrestres. Era 1980, e o hoje engenheiro elétrico José Oswaldo Guimarães tinha 18 anos e ainda morava em sua cidade natal, Botucatu - atualmente, vive em Campinas -, no interior paulista. "Fui com uns amigos visitar a região de Três Pedras, onde diziam ter muito disco voador", recorda-se.

Interpelado pelo grupo de estudantes, um dos camponeses que moravam ali disse que não, não tinha nada de anormal praquelas bandas. No que foi interrompido pelo filho pequeno:

- Mas, pai, e aquela vez que uma égua saiu desembestada pelo pasto sem que ninguém mexesse nela?

- Ah, filho, aquilo não é disco voador, não. É o saci que montou nela...

Guimarães e seus amigos deram corda. E o homem desatou a contar causos de sacis, lamentando que eles rareavam por causa da chegada da luz elétrica e do desmatamento. "Isso ficou na minha cabeça. Em 1987, já formado em engenharia, fui trabalhar uns tempos em Itajubá (MG) e lá conheci um senhor que criava sacis num viveiro. Consegui dois casais com ele, para repovoar Botucatu", diz, sem perder a seriedade. "Havia uma regra: nada de foto, senão matava o mito."

Associação. Em 1990, nascia a Associação Nacional dos Criadores de Sacis, dedicada a reavivar a lenda no imaginário das pessoas. "Os sacis aparecem quando contamos suas histórias. Quantos novos não vão surgir quando essa reportagem for publicada?", provoca.

No último sábado, Guimarães foi um dos palestrantes em evento dedicado ao folclore ocorrido no Museu da Língua Portuguesa, na região central de São Paulo. No domingo, 22 de agosto, foi comemorado o Dia do Folclore.

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