Ele quer criar uma ''casa-observatório''

O ''professor Tom'' planeja há 30 anos erguer um espaço astronômico onde mora, mas só agora o projeto avançou

Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2010 | 00h00

O sonho do professor de ciências Antonio Carlos Tavares de Oliveira Alves, de 47 anos, sempre foi erguer um observatório astronômico sobre a casa em que vive desde a infância, em Artur Alvim, zona leste da capital. Após 30 anos reunindo lunetas, telescópios, câmeras, acessórios e algumas frustrações, o projeto hoje está em fase final e já muda a arquitetura da casa que divide com a filha caçula e a mulher Naíza, dona de uma pequena loja que funciona no local.

A cúpula, uma estrutura de ferro com chapas metálicas, e os cinco telescópios, que variam de 3 a 13 polegadas de diâmetro, já estão prontos. Mesmo ainda longe da estrutura física adequada, que pretende levantar sobre a loja da mulher, Antonio já convoca amigos, alunos e colegas professores para observações astronômicas periódicas, prática especialmente indicada no inverno, a melhor estação para ver o céu. "Chegaram a vir 60, 70 pessoas numa noite", diz, orgulhoso.

"Minha ideia é fazer aqui uma sala de aula, com biblioteca, notebook e Data Show (projetor), para que eu possa explicar melhor o que as pessoas estão vendo", completa o "professor Tom", como é mais conhecido nas duas escolas estaduais em que leciona. "Esse é um sonho de 30 anos que estou realizando. Quero finalizar o observatório até o fim deste ano."

A primeira tentativa de fazer o observatório foi feita em 1994, quando a mãe de Tom, que morava sob o mesmo teto, vetou a empreitada caseira. Na época, a saída foi seguir com o projeto no topo do novo shopping que abriria no bairro. Com a falência do centro comercial, nos anos 1990, o professor superou a frustração retomando o projeto de observatório em casa, agora com o sinal verde da família.

Enquanto constrói o sonho pouco a pouco, os eventos promovidos por Tom ficam restritos à "astronomia de calçada" nos arredores da casa.

Para terminar o observatório em construção, Tom faz economias com o salário de professor da rede pública e também põe à venda na loja de roupas da mulher camisetas com a estampa do "Observatório Astronômico Albert Einstein", nome oficial do sonho. Para terminá-lo, são necessários cerca de R$ 15 mil, mas o pai da ideia não gosta de falar em dinheiro. "Preciso mais de doações, como assessoria técnica para astronomia, algum telescópio que a pessoa não for usar mais", exemplifica o professor, cuja paixão o fez cultivar o hábito de dar palestras gratuitas sobre astronomia.

"Quando começamos a namorar, nosso primeiro passeio foi no Planetário do Ibirapuera. Na nossa casa, tem quase 3 mil livros. Sempre entendi que para ele o conhecimento é mais importante do que o dinheiro", diz a mulher, Naíza.

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