'Ele não é líder nem black bloc’, diz mãe de servidor da USP preso

Helena Harano afirma que Fábio, de 27 anos, que também estuda na universidade, está ansioso pela liberdade e quer provar inocência

Entrevista com

Helena Harano

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

16 Julho 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Uma manifestação contra a Copa mudou a vida da dona de casa Helena Harano, de 54 anos. Ela é mãe do técnico de laboratório e estudante Fábio Hideki Harano, de 27, preso há 24 dias sob acusação de liderar e incentivar vandalismo em protestos em São Paulo. Helena trocou sua casa em Vitória pela capital paulista para ficar mais perto do filho, que está no Presídio de Tremembé, a 140 km da capital. O testemunho de amigos, segundo ela, são provas da inocência de Harano.

A senhora recomendava cuidado nas manifestações?

Cumpro meu papel de mãe, mas ele é um indivíduo diferente de mim. Ele participa de todos os movimentos, mas de forma pacífica. E não é líder de nenhum, como dizem. Os relatos dos amigos estão certos: é uma pessoa bem tranquila. Ele não é black bloc e nunca agiu com violência.

Ele relatou o que aconteceu naquele dia?

Não falamos sobre isso. Quando faço visitas, busco dar apoio emocional. O irmão também tem ajudado muito e meu marido vem de Vitória nos próximos dias.

Como é o cotidiano do seu filho na prisão?

O Fábio está muito ansioso pela liberdade. Quer provar que não participou do modo que afirmam. Para passar o tempo, pediu que enviasse livros e até mandei um do Harry Potter. Ele reclamou da comida. Como é vegetariano e servem pouca verdura, teve de comer carne nos últimos dias. Ele também faz exercícios para manter o corpo ativo.

O que tem sido mais difícil para a senhora?

Periodicamente venho a São Paulo e fico no apartamento dele. Desta vez foi doído encontrar a casa vazia e ele não aparecer no horário em que sempre chegava. Tenho recebido várias manifestações de apoio dos colegas da USP (Universidade de São Paulo, onde Hideki estuda e trabalha) e dos movimentos, o que também ajuda.

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