'Ele estava respirando', diz legista de executivo

Perito confirma conteúdo de seu laudo e diz que nunca viu corpo ser apresentado como foi o de Marcos, morto por Elize

Entrevista com

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2012 | 03h03

O médico-legista Jorge Pereira de Oliveira, de 64 anos, disse ontem que nem sabia que era do executivo da Yoki Marcos Kitano Matsunaga, de 42 anos, o corpo sobre o qual fez o laudo que provocou uma reviravolta no crime cometido por Elize Araújo Kitano Matsunaga, de 30 anos, ocorrido no dia 19 de maio. Tranquilo, ele reafirmou que Matsunaga foi decapitado ainda vivo e o tiro foi disparado próximo do corpo, diferentemente do que diz Elize, que teria matado o marido enquanto discutiam em pé. Ela diz também que só esquartejou o corpo dez horas depois. O legista, no entanto, afirma que o laudo, por si só, não pode definir a sequência dos ferimentos.

Oliveira se formou em 1974 pela Faculdade de Medicina do ABC e trabalha desde 1976 no Instituto Médico-Legal (IML). Atende no posto de Cotia há 18 anos. Mesmo experiente, disse que nunca viu um corpo da forma como a que ficou o do executivo.

Ele estava vivo quando foi decapitado? No laudo necroscópico, a gente descreve o que vê. Ou seja, é o real. Neste caso específico, recebemos parte do corpo, então algumas observações foram feitas sem alguns segmentos. Nesta análise, ele apresentou vias aéreas preenchidas com sangue, e isso só ocorre com movimento ativo do aparelho respiratório. Ele estava respirando.

Há possibilidade de ele não ter sido decapitado vivo? Não. Vias aéreas só são preenchidas com movimento respiratório.

O sangue não pode ter escorrido do ferimento à bala? O sangramento pelo ferimento na região cefálica não tinha continuidade com as vias aéreas.

Já viu caso semelhante? Esse se apresenta de forma inusitada, pela forma como se apresentou o corpo.

Sabia de quem era o corpo?

O corpo entrou como sendo de desconhecido e essas informações prestadas pela suspeita (Elize) foram posteriores. Só sabia que era um adulto e no momento foi considerado como de raça branca. Não tinha condições de saber que era amarelo, só depois da chegada do crânio.

O tiro foi disparado de perto?

Próximo ou à queima-roupa pelas características do ferimento produzido pelo projétil, marcas deixadas e observadas na borda do ferimento. Foram observados alguns pontos de tatuagem e margens com queimaduras. O tiro foi disparado de cima para baixo, da direita para esquerda e da frente para trás.

A versão dela é viável? Só pode ser esclarecido após confronto entre laudo necroscópico, perícia do Instituto de Criminalística e as investigações policiais.

O laudo desmente Elize? Não tenho como entrar nesse tema, porque não tive acesso às declarações oficiais dela. Não posso ir atrás da mídia, senão deixo de ser uma prova técnica.

Ela baleou primeiro e esfaqueou depois? Não há condições somente pela perícia necroscópica de determinar a ordem dos ferimentos. Precisa de outros indícios, sob outra forma de perícia.

Já trabalhou em algum caso de repercussão? Não analiso a repercussão. Para mim, importante é o que observo. O impacto é por lesões que você observa ali, algumas exuberantes, outras menos.

Já sabe da possibilidade de a Polícia Civil requerer a exumação do corpo? Da minha parte, não há comentário sobre isso.

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