'Ele estava no lugar errado, na hora errada'

"Meu filho estava no lugar errado, na hora errada", diz a bancária Mônica Santos, de 42 anos, ao tentar explicar a morte do filho Carlos Eduardo, o Duda. No dia 6, ele estava na rua com dois amigos próximo à sua casa, quando um carro passou atirando. Ele foi atingido na cabeça, no peito e na barriga, pouco antes das 21horas. Duda não sobreviveu.

O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2012 | 02h01

O jovem estava voltando a pé da academia, onde treinava diariamente. Tinha saído mais cedo, por volta das 20h20, a pedido do pai, o gráfico Admilson, de 44 anos, que, preocupado, havia telefonado duas vezes para o filho. "O bairro estava escuro, sem luz. Naquela noite, um ônibus roubado perdeu a direção, atropelou três pessoas e bateu em um poste", conta Admilson. "A violência estava correndo solta."

A família Santos mora na Brasilândia, bairro da zona norte que se transformou em um dos pontos da "guerrilha" urbana. Apesar do clima, era uma das melhores fases da vida da família. Depois de oito anos, finalmente a construção da casa tinha acabado. Duda tinha um quarto só para ele, como sempre sonhou, equipado com uma TV de 42 polegadas. "Juntos carregamos muito tijolo nos fins de semana para levantar esse sobrado", conta Mônica. "E Duda ajudou muito." Se não tivesse morrido naquela noite, no dia seguinte o jovem levaria os documentos para se inscrever no curso de Administração de Empresas da Uninove, onde havia conseguido uma bolsa.

"Ele era motivo de orgulho", diz o pai, a quem Duda sempre pedia a bênção. Também era considerado ótimo funcionário na loja onde instalava som, em Carapicuíba. "Ele só se atrasou um dia", diz a dona, Janaina de Souza. "Foi quando veio a pé por causa da greve de ônibus." / V.F.

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