Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

'Ele era tudo o que eu tinha’, diz mulher de publicitário morto por PMs

Família acredita em execução; tenente foi à casa da vítima para pedir ‘desculpas’

Fabiano Nunes e Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

19 Julho 2012 | 23h31

Uma execução. É assim que Maria Alice Prudente de Aquino e Silva, de 72 anos, tia de Ricardo Prudente de Aquino, descreve a morte do sobrinho por policiais militares. Indignada, ela culpou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, pelo assassinato. “Como um governo não consegue treinar a sua polícia? Só espero que isso nunca aconteça com os filhos deles, que devem ter a mesma idade e devem ter crescido frequentando os mesmos lugares.”

A publicitária Lélia Pace de Aquino, de 35 anos, viúva do empresário, disse que o episódio é um pesadelo. “Ele era minha família. Era tudo o que eu tinha. Não sei como vou continuar.”

Para Lélia, a versão da polícia de que o marido foi perseguido precisa ser investigada. Segundo ela, o carro de Aquino foi encontrado perto do meio-fio, como se tivesse sido estacionado, algo que dificilmente ocorreria se estivesse em alta velocidade.

Amigos e parentes também não acreditam na hipótese da fuga. “Ele era uma pessoa do bem, não teria por que fugir de uma abordagem policial. Está tudo muito esquisito”, disse Tsuli Marimatsu, amiga do casal.

A irmã do publicitário, Fernanda de Aquino, disse ter medo de dar declarações por causa da PM. A prima Cláudia Sacramento também não acredita na versão da polícia. “Tudo o que a gente sabe é especulação. Não tenho como dizer alguma coisa. A única versão que nós temos é a dos policiais que foram presos.” Após deixar o IML na tarde desta quinta-feira, 20, as duas foram ao 14.º DP (Pinheiros) fazer boletim de ocorrência, pois só haviam recuperado a carteira de identidade de Aquino. “Todos os outros pertences – carteira, cheques, sumiram”, disse Fernanda.

Visita. Na manhã desta quinta, o tenente da PM Gilberto Evangelista, integrante do 23.º Batalhão da PM, a mesma unidade dos policiais responsáveis pela morte do empresário, esteve na casa da vítima. “Ele disse que não era uma visita oficial, mas que estava envergonhado com o que aconteceu e pediu desculpas”, afirmou Tsuli. Evangelista permaneceu no apartamento, na Vila Madalena, por dez minutos. Parentes e amigos protestaram contra a ação da PM.

Ao deixar o local, a mãe da vítima, Carmen Sacramento, não quis falar com a imprensa. “Você quer que eu diga o quê? Que eu vou sentir muito a falta dele?” Carmen afirmou, no entanto, que sempre vai lembrar que foi muito amada pelo filho.

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