Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

''Ele conseguiu destruir toda a minha família''

4 mil pessoas foram ao enterro de 11 vítimas em quatro cemitérios do Rio; 155 pessoas passaram mal e 13 foram levadas a hospitais

Pedro Dantas / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2011 | 00h00

Mais de 4 mil pessoas compareceram ontem aos enterros de 11 das 12 vítimas do massacre na Escola Tasso da Silveira em quatro cemitérios do Rio. Em clima de comoção, 155 pessoas foram atendidas por equipes médicas e 13 removidas para hospitais. A tia-avó de uma das vítimas sofreu um enfarte no Cemitério do Murundu, em Realengo, e outra foi internada com suspeita de Acidente Vascular Cerebral no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na zona oeste.

A ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, foi a primeira autoridade a comparecer ao velório no Cemitério do Murundu e saiu chorando, sem falar com a imprensa. Em seguida, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, entrou nos quatro velórios e saiu emocionado.

"Nada se compara a esta tragédia. Qualquer pessoa com bom coração se emociona com o que aconteceu", disse. O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, viu a sepultura da estudante Laryssa Silva Martins, de 13 anos, ser fechada e chorou ao acompanhar o sepultamento de Mariana Rocha de Souza, de 14 anos. "Estou aqui como cidadão. Tenho uma filha chamada Mariana que também circula pelas ruas do Rio." Ele defendeu a rediscussão sobre o Estatuto do Desarmamento.

Pétalas. As alunas Mariana e Laryssa foram veladas em capelas vizinhas. A primeira embalada por cantos de Candomblé e a segunda, por cânticos católicos. "De onde saiu este cara (o assassino)? Ele conseguiu destruir minha família", disse o padrinho de Laryssa, o motorista de ônibus Gérson da Silva, de 47 anos. No velório ao lado, familiares de Mariana lembravam o sonho da menina. "Ela dizia que ia estudar para dar uma casa para a mãe, que é empregada doméstica", disse o tio da menina, o mecânico Edvaldo de Oliveira, de 41 anos.

O terceiro enterro foi de Bianca Rocha Tavares, de 13 anos. Brenda, a irmã gêmea, também foi baleada e continua hospitalizada. Amigo das duas desde o jardim de infância, o estudante Jefferson Luiz Ferreira de Souza, de 13 anos, tentava entender o que aconteceu. "Minha amiga queria ser médica e era uma pessoa boa. Eu encontrava com ela na escola e na igreja aos domingos. Não entendi por que isso aconteceu com ela." A tia-avó da menina sofreu um enfarte durante o sepultamento e foi levada para o Hospital Albert Schweitzer. A Secretaria de Saúde do Estado não informou sobre o seu estado de saúde.

O trauma era compartilhado pelas irmãs de outra vítima, Milena dos Santos do Nascimento, de 14 anos . "As irmãs dela estudavam na mesma escola e estavam no dia da chacina. Acredito que vão precisar de atendimento psicológico. A professora de Tainá, de 15 anos, conseguiu trancar a turma na sala e a turma da Helena, de 12, ficou refugiada no auditório", revelou a tia das meninas, a costureira Ana Rosa Nascimento Alves, de 54 anos.

No Cemitério de Ricardo de Albuquerque, colegas da estudante Géssica Guedes Pereira, de 14 anos, também foram ao sepultamento traumatizadas com as cenas da chacina. "Eu escapei porque saí correndo. Eu vi ele matar as duas meninas que estavam sentadas do meu lado. A Géssica foi uma delas", revelou Taiara Dantas, de 14 anos, aluna da turma 1803.

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