Ele conduziu o 1º trem. Por 400m

Lazarini levou chefes e autoridades no teste

O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2012 | 03h02

Antonio Lazarini tinha 20 anos em 6 de setembro de 1972. Seis meses antes, havia trocado uma promissora carreira de mecânico de aviões na Varig para se tornar um dos primeiros funcionários do Metrô. "Meu pai achou que era loucura, que era trocar o certo pelo duvidoso, que ninguém sabia no que ia dar esse tal metrô", recorda-se, hoje com 60 anos e ainda funcionário da companhia.

O trem chegou a São Paulo no dia 20 de agosto. "Não tivemos treinamento, não tinha manual. A gente via as fotos, tentava entender como a coisa funcionava. E ia testando, apertando os botões e mexendo as alavancas para ver no que dava", conta ele. O metrô era uma novidade. Em 6 de setembro, o célebre dia do primeiro teste público, coube a Lazarini fazer o trem funcionar no pequeno trajeto, do pátio até a Estação Jabaquara - 400 metros.

"Dentro, tinha umas dez pessoas. Só os chefes e alguns funcionários, era bem restrito", lembra. "No pátio, ficaram trabalhadores da obra e muitas autoridades, incluindo o presidente da República."

O percurso foi muito rápido. "Acho que demorou, no máximo, uns 2 minutos", diz. "Eu estava muito preocupado em conduzir o trem devagarzinho, para não cometer nenhum deslize. Imagine só se acontecesse algo?"

Nascido em Tabatinga, no interior, Lazarini mudou-se para São Paulo em 1970. Aqui construiu sua vida, em torno do Metrô. "Sempre morei perto de uma estação, de modo que uso o serviço diariamente", comenta. "E até minha mulher (Miriam) eu conheci na companhia." Atualmente, ele é consultor da Comissão de Monitoramento de Concessões e Permissões da empresa. Mas seu pai morreu sem jamais pisar em um trem do Metrô. / E.V. e B.R.

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