'Ele bateu com o facão nas minhas costas'

Era segunda-feira de carnaval, às 6h15, quando o motorista Ademir Vieira, de 46 anos, da Viação Estrela, fazia manobra em seu ônibus para começar sua viagem em Florianópolis. O dia de trabalho já iniciaria um pouco mais tarde que o normal - antes dos ataques, ele entrava às 5h. Mas mesmo com o atraso, o veículo de Vieira foi abordado por criminosos e ele se tornou mais uma vítima da onda de violência de Santa Catarina.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2013 | 02h01

Como foi o ataque?

Estava clareando e eu ia partir. Fazia manobra quando vi um jovem com uma camisa preta na cara e um facão de dois palmos batendo no vidro do ônibus. O cobrador disse que, ao todo, eles estavam em sete. Gritavam "salta", "salta". Eu pensei em partir com o ônibus, mas o cobrador falou que um deles segurava um revólver. Acabei abrindo a porta para eles entrarem.

O que eles fizeram?

Um deles bateu com a parte cega da lâmina do facão nas minhas costas. Ficou uma marca. Estavam com uma garrafa PET de dois litros de gasolina. Começaram a jogar no ônibus. Pegou gasolina no cobrador, que ficou com muito medo. Achei que ia demorar para queimar. Mas, assim que saí, vi a fumaça preta e o ônibus se incendiou.

Já voltou a trabalhar?

No primeiro dia, eu só chorava. Falava da situação, chorava. Levaram a chave do meu carro, meus óculos. Fiquei um dia com a minha família e acabei me tranquilizando. Colocaram guardas-civis para acompanhar o ônibus nos lugares de risco mais alto. Isso ajudou a acalmar. / B.P.M.

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