Elas têm de provar que estão vivas

Para o governo, as duas Marias estão mortas

José Maria Tomazela, Sorocaba, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2013 | 02h06

As aposentadas Maria Aparecida de Oliveira, de 77 anos, moradora de São Manuel (SP), e Maria Madalena Conceição Campos, de 69, de Conchas (SP), não se conhecem, mas têm um problema em comum: as duas foram consideradas mortas por órgãos do governo e lutam há meses para provar que estão vivas.

O drama de Maria Aparecida começou em janeiro, quando foi à agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na cidade para reclamar o não pagamento da pensão deixada pelo marido, morto há 20 anos. Para sua surpresa, a aposentada foi informada da suspensão no pagamento por causa de sua morte. "Disseram que eu tinha morrido em Guarulhos, mas estou viva", disse.

A aposentada se dispôs a passar por uma perícia para provar que estava viva, mas os funcionários disseram que bastava a presença dela na agência para que o problema fosse resolvido. Até sexta-feira, a pensão de Maria Aparecida continuava bloqueada e a idosa passava necessidades.

Em Conchas, na mesma região, Maria Madalena descobriu que estava morta ao revalidar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no fim de 2012. Para fazer prova de vida, ela viajou várias vezes a Botucatu para reunir provas de que estava recebendo a aposentadoria. No documento, constou que não havia certidão de óbito em seu nome. Mesmo assim, a idosa precisou entrar com mandado de segurança na Justiça para obter a CNH, que deve ser entregue nesta semana.

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