Ela sabia que não ia sair viva dali, afirma Nayara sobre Eloá

Em entrevista, jovem conta que não se arrepende de ter voltado ao apartamento para tentar salvar Eloá

27 de outubro de 2008 | 14h28

Nayara Rodrigues da Silva, de 15 anos, afirmou na manhã desta segunda-feira, 27, que sua amiga Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, falava desde o início do seqüestro que iria morrer. "Ela sabia que não ia sair viva dali", afirmou Nayara em entrevista por telefone ao programa Mais Você, da Rede Globo. Nayara e a amiga foram mantidas reféns por Lindemberg Alves, de 22 anos, ex-namorado de Eloá, que estava inconformado com o fim do relacionamento. Após quase 101 horas de seqüestro, policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) invadiram o apartamento e Lindemberg atirou contra as meninas. Eloá foi atingida na cabeça e na virilha e teve morte cerebral. Nayara foi atingida no rosto e a bala ficou alojada na arcada dentária.   Veja também: Polícia finaliza inquérito e indicia Lindemberg e pai de Eloá Perguntas e respostas sobre o caso Eloá  Especial: 100 horas de tragédia no ABC   Mãe de Eloá diz que perdoa Lindemberg  Imagens da negociação com Lindemberg I  Imagens da negociação com Lindemberg II  Especialistas falam sobre o seqüestro no ABC Galeria de fotos com imagens do seqüestro  Todas as notícias sobre o caso Eloá          A adolescente, que saiu do hospital na última quarta-feira, 22, diz não se arrepender de ter voltado ao apartamento, mas reconhece o risco. "Se eu visse um caso desses na TV, eu falaria que a menina é louca. Por melhor amiga que fosse, falaria que não faria", contou. "Mas hoje, eu faria tudo de novo, para poder tirar ela viva dali", disse.   A jovem também admite que desconfiou da abordagem de Lindemberg. "Quando ele falou dá a mão para a Eloá que ela vai sair eu não senti muita firmeza. Mas não dava mais para voltar", afirmou, se referindo ao momento em que voltou ao apartamento - dois dias após ser libertada pelo seqüestrador - e foi feita refém novamente. "Eu não tinha a intenção de voltar, ia fazer só o que ele pediu, ir até lá, chegar, pegar na mão dela e sair", disse.   A jovem afirmou que, apesar da volta ao cativeiro, esteve bastante tranqüila. "Não sei de onde tirei tanta tranqüilidade." De acordo com Nayara, durante os dias do cativeiro os três comiam normalmente, e o seqüestrador chegou a deixar as adolescentes tomarem banho. Em um dos dias, Eloá fez comida, e as duas conseguiam dormir - Lindemberg, entretanto, permaneceu acordado o tempo todo.

Tudo o que sabemos sobre:
caso Eloá

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.