Einstein da Sumaré vai fazer obras antitrânsito

Placas, rampas e pintura de asfalto fazem parte da contrapartida exigida do hospital

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2010 | 00h00

A Avenida Sumaré, um dos principais corredores viários da zona oeste, está recebendo novas placas de sinalização, pintura de asfalto, rampas nos cruzamentos e readequação de uma curva. As benfeitorias são pagas pelo Hospital Albert Einstein, que está abrindo uma unidade na avenida, como forma de compensação pelo impacto que o empreendimento trará ao trânsito da região. As intervenções são uma exigência da Prefeitura.

Os trabalhos devem ser concluídos nas próximas semanas. No total, há 14 pontos da avenida que receberão algum tipo de serviço. A previsão é que o hospital seja inaugurado no próximo dia 4. Ele terá um estacionamento e vai oferecer até atendimento de pronto-socorro, com previsão de receber cem pacientes por dia (leia ao lado).

As mudanças na Avenida Sumaré - e em outras vias do entorno, como a Rua João Ramalho - são uma determinação da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e obedecem a uma série de leis vigentes desde 1987. Elas não têm ligação, no entanto, com a Lei dos Polos Geradores, aprovada em maio deste ano pela Câmara Municipal. Ela prevê que empreendimentos com mais de 500 vagas de estacionamento paguem 5% do valor da obra à companhia. São, na verdade, uma obrigação para a autorização de funcionamento.

Recomendações. Ao todo, houve oito recomendações feitas pela CET ao Albert Einstein, segundo publicação feita no Diário Oficial da Cidade do último sábado. Além de exigir o rebaixamento de guias nos cruzamentos e a melhoria das placas, a Prefeitura obrigou o centro médico a fixar duas câmeras de monitoramento para a CET e instalar todo o cabeamento necessário para que a companhia as opere com o restante do sistema. O hospital ainda terá de fazer a reconfiguração geométrica da esquina onde a nova unidade está instalada e rebaixar as guias de alguns dos cruzamentos do seu entorno.

Após executar todos os serviços solicitados, a CET deve emitir a Certidão de Diretrizes, que atesta que o empreendimento não causa impacto ao trânsito local. Ela é um dos documentos necessários para a emissão do Habite-se. Só depois o imóvel pode ser aberto ao público.

Em nota, o hospital disse que o novo prédio faz parte de seu plano de expansão e que o edifício foi pensado para criar o menor impacto ambiental possível. As luminárias, por exemplo, vão consumir menos energia e os vasos sanitários, menos água. O Einstein não informou quanto gastou com as obras viárias.

Prós e contras. Quem mora na região vê na chegada do hospital uma boa notícia. "A Avenida Sumaré já está saturada há muitos anos. O trânsito ficou insuportável depois que fizeram todos os cruzamentos e depois que colocaram aquela faixa para motos. O Einstein não vai mudar muito isso. Mas, pelo menos, vamos ter um hospital da qualidade do Albert Einstein no nosso bairro", diz Paulo Garabed Abrikian, diretor do Conselho das Associação de Amigos de Bairro da Região Lapa (Consabs Lapa).

Além de ser um dos locais com o mais intenso processo de verticalização em curso no momento, os bairros da Subprefeitura da Lapa receberam grandes polos geradores de tráfego nos últimos anos. E empreendimentos como a nova unidade do Hospital Albert Einstein e a reforma do Estádio do Parque Antártica dão sinais de que o processo ainda não terminou.

O bairro recebeu nas duas últimas décadas dois shoppings, dois hipermercados e a ampliação da uma universidade. E continua com a mesma estrutura de transporte público: a mudança mais recente, a entrega da Estação Sumaré, da Linha 2-Verde do Metrô e que fica nos limites do bairro, já tem 12 anos.

A região carece de ampliação do sistema viário e sofre com alagamentos a cada verão. Parte dos transtornos poderia ser amenizada com a Operação Urbana Água Branca, programa que já arrecadou R$ 85 milhões mas que, até agora, não concluiu nenhuma obra.

A unidade por dentro

A nova unidade do Hospital Albert Einstein tem 10 andares, cinco no subsolo, e vai oferecer leitos de internação, cirurgia e centro de oncologia. Terá também um serviço de primeiro atendimento para emergências. Um dos focos da unidade, segundo o hospital, deve ser a medicina diagnóstica: a previsão é realizar 500 mil exames por ano, incluindo ultrassonografias, tomografias, ressonâncias magnéticas e mamografias. A obra, que começou em 2008, faz parte do plano de dobrar o número de leitos nas unidades da rede (com o novo prédio, são oito) até 2012. O plano está orçado em R$ 520 milhões, quase metade do orçamento anual da Secretaria Municipal de Saúde, diluídos em quatro anos.

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