Eike promete R$ 20 milhões por ano para as UPPs

Secretário de Segurança do Rio anuncia parceria com a iniciativa privada para dar agilidade ao projeto de ocupação dos morros pela polícia

Felipe Werneck / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2010 | 00h00

O empresário Eike Batista anunciou ontem a doação de R$ 20 milhões para o governo do Rio e o compromisso de entregar o mesmo valor todos os anos, até 2014, exclusivamente para aplicação na compra de equipamentos e na construção de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Três empresas também prometeram aportes para a segurança.

Ao anunciar a parceria com a iniciativa privada, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou que isso dará velocidade ao projeto, destacando a dispensa de licitações. "É muito importante, quase vital, para a continuidade desse projeto que tenhamos velocidade. Não podemos ficar restritos a determinados impedimentos da legislação, principalmente a lei de licitação. Esse fundo vai suprir esse problema." Além do empresário, participaram da cerimônia representantes da Bradesco Seguros (que prometeu R$ 2 milhões), da Coca-Cola (R$ 900 mil), da Souza Cruz (R$ 400 mil) e o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, que patrocina a construção do prédio da UPP na Cidade de Deus.

"Vamos contribuir com R$ 20 milhões por ano até 2014. É um compromisso que será acrescentado à soma dos parceiros, e esperamos que isso incentive outros a participar", disse Eike, que chamou Beltrame de "grande general". Para o empresário, as UPPs são um "modelo para o Brasil e talvez para o mundo". O projeto virou bandeira política do governador Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição, e foi incorporado ao discurso de campanha da presidenciável Dilma Rousseff (PT).

"O conceito é tão fantástico, vimos que funciona. Não imaginava que a gente ia arrumar uma solução para resolver o problema das favelas. É um compromisso sério. Não gosto de puxadinho. A única maneira de se perpetuar é entrar com um volume sério de recursos", avalia Eike.

Segundo o comandante das UPPs, coronel Robson Rodrigues, o atual cronograma será mantido, mas a polícia estará mais preparada. "Vamos ter condição de adquirir tecnologia moderna sem precisar de licitação. Existem países que têm tecnologia de segurança de ponta, como Israel. Para ocupar complexos de favelas, vamos precisar dessa tecnologia. Imagina uma licitação internacional com embargos que atrasem o processo?"

Copa. O presidente da CBF disse considerar um "caso anômalo" o recente ataque de traficantes a um hotel em São Conrado, na zona sul. Para ele, o fato não implicará prejuízo no planejamento da Copa e da Olimpíada.

O Rio tem dez UPPs e duas em processo de instalação - com 2,2 mil policiais em atuação. / COLABOROU SILVIO BARSETTI

Até 2014

40 UPPs

estão no plano de implementação

5 mil policias

devem ser formados a cada ano

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