Educação estimula uso de serviços públicos

A redução do número de viagens no transporte público por parte das classes inferiores da pirâmide socioeconômica, em contraste ao aumento ocorrido nas classes superiores, indica distinta presença de fator educacional. A Associação Nacional de Transporte Público (ANTP) já havia computado redução do uso do ônibus ao longo dos anos 1990. Agora, a pesquisa de mobilidade detalha o tema com maior profundidade e permite descobrir problemas sérios quanto à recusa do uso dos transportes coletivos. Permitirá a elaboração de novas políticas públicas para resolver o problema.

ANÁLISE: Creso Peixoto, mestre em transportes, O Estado de S.Paulo

11 Março 2014 | 02h00

Ainda se espalha a ideia de que comprar um carro é a forma de se livrar de infindáveis horas em desconfortáveis ônibus ou vagões de metrô. Em caso de dúvida, basta assistir à TV. Se a dúvida ainda persistir, ouça observações sobre a importância das montadoras de automóveis para a economia nacional, página virada já em alguns países desenvolvidos. Após a compra do carro, no entanto, congestionamento e altos custos arrefecem ânimos e orgulho. Sobra a crença de que aumentar a largura de vias é suficiente para dar vazão ao antiquado modelo carro, avenida e liberdade.

A população de renda maior, com maior oportunidade de acesso aos bancos escolares e informação mais ampla, apresenta maior crescimento de pessoas que no dia a dia buscam o transporte coletivo. Sob ótica pragmática, deixam o carro para tentar por determinado tempo alguma outra solução. Incluem o transporte público nas opções. Sob ótica de responsabilidade social, elas buscam deixar o carro para mostrar que há solução para a cidade que não querem deixar.

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