Edital do trem-bala deve ser publicado em março de 2008

Avaliação inicial é de que passagem poderia custar R$ 120; viagem entre Rio e SP deverá durar, no máximo, 2h30

Beth Moreira, da Agência Estado,

03 de dezembro de 2007 | 15h31

O secretário dos Transportes do Estado do Rio de Janeiro, Júlio Luiz Batista Lopes, afirmou nesta segunda-feira, 3, que o edital de licitação do Trem de Alta Velocidade (TAV), popularmente conhecido como trem-bala, que ligará a cidade de São Paulo ao Rio de Janeiro deverá ser publicado em março de 2008. Ele explica que esse é o prazo estimado para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) finalize os estudos de viabilidade econômica do projeto e defina a modelagem que será adotada.   Segundo Lopes, que participou do "5.º Seminário Sobre Ferrovias em Busca do Elo da Competitividade Logística", organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ainda não há nada certo em relação à participação do governo no projeto, mas a expectativa é de que seja adotado um modelo misto, com recursos da iniciativa privada e do Estado. "A minha visão é de que o projeto tem que ter recursos públicos", afirma.   O secretário informou ainda que deverá divulgar no dia 18 de dezembro o resultado de uma pesquisa que está sendo realizada pelo Ibope com cerca de 3 mil pessoas na Grande São Paulo e Grande Rio de Janeiro, para sondar qual seria a demanda por esse tipo de transporte. "Nós temos convicção da importância desse projeto, mas precisamos verificar qual vai ser a real demanda para que ele se torne realidade", afirma.   Segundo ele, essa é a primeira de uma série de pesquisas sobre o modal, que contará ainda com um levantamento sobre o preço da passagem, entre outros itens. A avaliação inicial do secretário é de que o TAV poderia cobrar R$ 120,00 pela viagem. A avaliação de Lopes é de que uma demanda entre 30 milhões e 35 milhões de passageiros viabilizaria com facilidade o projeto. "Temos que mostrar para a população quais os benefícios desse trem e as enormes oportunidades para diversos setores da economia", defende.   Lopes revelou ainda que atualmente o governo do Rio trabalha com um projeto conjunto com São Paulo, onde se prevê em uma primeira etapa a construção de um trem ligando a capital paulista ao aeroporto de Guarulhos. Em uma segunda fase seria construído o trecho até a cidade de Campinas e em uma terceira, até São José dos Campos. "Em uma quarta fase o projeto se estenderia até o Rio de Janeiro", afirma.   Paralelamente, o secretário prevê a construção de uma primeira fase no Rio que ligaria a Barra a Madureira (entre 2008 e 2012) e posteriormente ao aeroporto do Galeão (até 2014). "Em uma terceira fase levaríamos o trem até o centro da cidade, já de olho nas Olimpíadas de 2016", afirma, ressaltando que é uma proposta preliminar.   O secretário dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, José Luiz Portella Pereira, também é a favor do TAV, mas ressalta que é preciso cautela com a empolgação, principalmente no que diz respeito à demanda. O secretário lembra que no ano passado cerca de 6 milhões de passageiros usaram a ponte aérea Rio-São Paulo, número bastante distante dos projetados pelo grupo italiano Italplan, cujo projeto sobre o tema foi apresentado aos governos paulista e carioca. "Esses estudos têm que ser feitos com cautela para que se consiga materializar um projeto que pare em pé e que caminhe com sustentabilidade", ressalta.   Portella informou ainda que no projeto que prevê um trem ligando São Paulo a Campinas o governo considera a possibilidade de uma parada em Viracopos. "Estamos na fase de aprofundar os estudos tanto no que diz respeito a demanda, preço, velocidade e localização das estações", explica.   O secretário lembrou que se o tempo de viagem entre São Paulo e Rio for elevado para duas horas e 20 minutos, ante a uma hora projetada pela Italplan, é possível alcançar uma redução de até 50% no preço do projeto, o que tornaria mais fácil viabilizá-lo. O orçamento da empresa italiana prevê investimentos de US$ 9 bilhões, uma concessão de 35 anos e um prazo de retorno de retorno de sete anos.

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