Edifício na Chácara Klabin sofre arrastão

Com controle da garagem e metralhadoras, bandidos invadiram e roubaram 6 apartamentos

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

 

JORNAL DA TARDE

Moradores do condomínio Green Park, na Chácara Klabin, zona sul de São Paulo, viveram uma hora de terror anteontem, durante o sétimo arrastão do ano na cidade de São Paulo. Treze homens com metralhadoras, pistolas e uma espingarda calibre 12 invadiram seis apartamentos após entrar no prédio em uma Pajero, com o controle remoto da garagem. Não houve prisão.

O edifício alvo da quadrilha fica a cerca de 50 metros de um posto da Polícia Militar. Durante a ação foram levados, em dinheiro, US$ 15 mil, 5 mil e R$ 2 mil, além de celulares, joias e vários relógios de grife, entre eles um Rolex.

Assustada com a presença dos ladrões, uma mulher de 44 anos, empregada de um dos imóveis, foi agredida com vários chutes na cabeça. Ela foi encontrada caída em um dos elevadores. A maioria dos condôminos foi ameaçada de morte e ficou refém em um único apartamento. Outras vítimas permaneceram na garagem.

"Era uma rapaziada de cara limpa, com 20 e 30 anos. Eram muito violentos, trouxeram meu sobrinho para dentro do apartamento, vasculharam tudo atrás de joia", contou um morador. Na versão de um funcionário, os assaltantes chegaram ao prédio exatamente às 20h40 da noite de terça-feira em dois carros com vidros escuros. Os homens da quadrilha se passaram por moradores. Depois de entrar pela garagem, parte do grupo foi até a guarita onde rendeu o porteiro com uma pistola, obrigando o funcionário a deixar a garagem aberta.

O primeiro morador rendido foi pego por um suspeito de olhos verdes. Em depoimento na delegacia, a vítima disse que foi levada por cinco ladrões até seu imóvel, onde estavam sua mãe e seu tio. Todos foram ameaçados de morte e tiveram relógios e dinheiro levados. Outros reféns foram trazidos ao mesmo imóvel e ficaram sob a mira de uma metralhadora.

Estranho. Um advogado de 38 anos chegou a dizer que notou algo estranho antes de entrar no prédio, mas acreditou "que fosse algo de sua cabeça" e foi rendido após estacionar. Com espingarda na mão, ladrões levaram a vítima até seu apartamento onde estava uma empregada. O advogado teve a pasta levada com R$ 2 mil, celulares e um relógio.

As vítimas contaram ainda que durante a ação era possível ouvir gritos e que os assaltantes se comunicavam por rádio e pareciam nervosos. Um suspeito que seria o líder dava indicações de onde cada suspeito deveria entrar. Uma outra moradora afirmou que um vizinho teria perdido o controle da garagem.

Segundo a polícia, o prédio tem três elevadores e o de serviço atende duas unidades, enquanto o social atende uma, privativa. Cada apartamento tem cerca de 200 metros quadrados. O condomínio, de acordo com a polícia, não tem sistema de monitoramento e o portão da garagem é aberto com o controle remoto, que tem um sistema de identificação da unidade condominial. Por essa razão, a polícia concluiu que o controle usado pelos ladrões pertencia a um apartamento do local. O caso foi registrado no 6.º Distrito Policial (Cambuci).

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